Santa Maria recebe capacitação inédita sobre comunicação de risco promovida pela Defesa Civil

Imagem: Norton Avila

A Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul realiza nesta segunda-feira (4), em Santa Maria, a 1ª edição da Capacitação em Comunicação de Risco para Municípios. A iniciativa reúne gestores públicos, agentes de proteção e defesa civil, profissionais de comunicação de prefeituras, imprensa e comunidade acadêmica, com foco na qualificação da informação em cenários de crise.

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O curso tem como finalidade preparar os municípios para atuar de forma mais eficiente dentro do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, especialmente nas etapas de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de desastres naturais. Durante a programação, também ocorre o lançamento da cartilha Boas Práticas em Comunicação de Risco, material que servirá como guia técnico para os participantes.

A atividade integra um cronograma estadual e é direcionada aos municípios da região central, abrangidos pela 3ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil. A agenda teve início recentemente em Encantado e ainda passará por Lajeado, Bento Gonçalves e será encerrada em Porto Alegre.

Durante o evento, o chefe da Casa Militar e coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, o coronel Luciano Chaves Boeira, contextualizou os avanços da estrutura estadual a partir das tragédias registradas em 2023 e 2024. Segundo ele, o período foi determinante para uma reestruturação profunda da Defesa Civil gaúcha, que até então operava com um efetivo reduzido frente à magnitude dos eventos climáticos.

 – Os anos de 2023 e 2024 foram extremamente desafiadores para o Estado e para a Defesa Civil, e nós não poderíamos passar por esses eventos sem identificar oportunidades de crescimento – destaca.

De acordo com o coronel, a principal mudança foi a ampliação da estrutura operacional e técnica do órgão, que hoje conta com um contingente significativamente maior.

– Hoje nós temos uma Defesa Civil quatro vezes maior do que aquela que atuou nos desastres de 2023 e 2024 – afirma.

Ele também ressaltou que o Estado avançou na implementação de projetos estratégicos, elevando o nível de preparação frente a eventos extremos.

– Foram se somando projetos que colocam o Rio Grande do Sul em outro patamar de adaptação e preparação – pontua.

Entre os pontos considerados críticos, a comunicação apareceu como um dos principais desafios enfrentados durante os desastres. A partir dessa constatação, a Defesa Civil promoveu uma revisão completa dos protocolos de comunicação com municípios, população e imprensa.

– Uma das questões que identificamos foi a necessidade de avançar na forma como nos comunicávamos com as pessoas – ressalta.

Como resposta, foi adotado um novo modelo de alertas baseado em níveis de criticidade, com classificação por cores para facilitar a compreensão da população.

– Hoje trabalhamos com níveis de criticidade: verde para normalidade, amarelo para atenção, laranja para alerta, vermelho para evento severo e roxo para evento extremo.

A escolha de Santa Maria como sede da capacitação, conforme o coronel, está diretamente relacionada ao impacto dos eventos climáticos recentes na região central do Estado.

– Trazer essa capacitação para Santa Maria faz parte de uma agenda que prioriza regiões que mais sofreram com os desastres.

No entendimento do coordenador estadual, a qualificação da comunicação é fundamental para garantir que as informações cheguem de forma clara à população, especialmente em áreas vulneráveis.

– Comunicação é quando eu falo e a pessoa compreende. Se não há compreensão, não houve comunicação.

Ele destacou ainda que muitas pessoas vivem em áreas de risco sem ter plena consciência dessa condição, o que reforça a necessidade de uma comunicação mais eficiente e acessível.

– Muitas vezes as pessoas nem sabem que residem em áreas de risco.

No campo dos investimentos, o coronel apontou avanços significativos em tecnologia de monitoramento meteorológico e hidrológico. Entre eles, a instalação de um radar meteorológico em Porto Alegre, com capacidade de cobertura de tempestades severas em um raio de 150 quilômetros.

– Esse radar já permite observar fenômenos em diversas regiões do Estado, inclusive na região central – explica.

Além disso, novos equipamentos estão em fase de aquisição, com tecnologia mais avançada.

– Assinamos contrato para mais três radares com alcance de 450 quilômetros, o que deve colocar o Estado na vanguarda do monitoramento meteorológico – afirma.

Outro destaque foi a modernização da modelagem hidrológica, que agora permite previsões mais precisas sobre o comportamento dos rios.

– Hoje a população quer saber se a água vai chegar na porta de casa e qual será a cota, não apenas a tendência do rio – pontua.

Também estão previstos estudos sobre áreas de suscetibilidade e vulnerabilidade, que devem subsidiar o planejamento urbano dos municípios, incluindo planos diretores e zoneamento.

– Esse conjunto de informações vai permitir decisões mais qualificadas por parte das prefeituras – acrescenta.

Ao final, o coronel reforçou que, embora os eventos extremos não possam ser evitados, o Estado tem avançado de forma consistente na preparação e resposta.

– Nós não temos como evitar os eventos extremos, mas temos condições de estar cada vez mais preparados – finaliza.

A capacitação realizada em Santa Maria reforça o papel estratégico da comunicação na gestão de desastres, consolidando uma nova abordagem da Defesa Civil baseada em informação clara, acessível e eficaz para a população.

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