O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decretou a falência da Vier Indústria e Comércio do Mate Ltda., uma das ervateiras mais tradicionais do Estado. A decisão, assinada em 29 de outubro pelo juiz Eduardo Sávio Busanello, reconhece a inviabilidade financeira da empresa, que encerrou suas atividades em setembro de 2024.
Fundada em 1944, em Santa Rosa, a Vier se consolidou como referência na produção de erva-mate, com distribuição em diversos municípios do Sul do país. No entanto, nos últimos anos, a companhia acumulou prejuízos e dívidas que ultrapassam R$ 49 milhões, enquanto o patrimônio declarado gira em torno de R$ 11,8 milhões.
Entre as causas que levaram à crise, a própria empresa citou a escassez de matéria-prima provocada pela substituição de ervais por lavouras de soja, o aumento dos custos de insumos e transporte, além de dificuldades administrativas. A situação se agravou após o falecimento do sócio-administrador, em 2020, e o incêndio ocorrido na sede da empresa em 2012.
Com a decretação da falência, a Justiça nomeou a empresa Estevez & Guarda Administração Judicial para conduzir o processo e administrar a massa falida. A sede da empresa foi lacrada, e os credores têm prazo de 15 dias para habilitar seus créditos.
Apesar da decisão, a marca “Vier” continuará presente no mercado. O nome e parte da estrutura foram arrendados para outras ervateiras, que seguem produzindo sob licenciamento, mediante repasse de percentual à massa falida.
A falência da Vier representa o fim de um ciclo de mais de oito décadas de atuação no setor ervateiro gaúcho, simbolizando também as transformações econômicas enfrentadas pela indústria regional diante do avanço da monocultura e das mudanças no mercado consumidor.