Travessia do Rio Toropi está parada: balsa aguarda manutenção e apoio para reativação do serviço

A balsa de travessia do Rio Toropi, que liga a localidade de Passo de Clara à Vila Clara, entre os municípios de São Pedro do Sul e Mata, está fora de funcionamento desde o mês de maio de 2025. Desde então, a estrutura permanece exposta às intempéries e apresenta sinais visíveis de deterioração, agravando uma situação já considerada crítica pelos moradores da região.

Atualmente, a balsa encontra-se parada devido a avarias estruturais, com furos em sua base, comprometendo a segurança da travessia. Para voltar a operar, a embarcação necessita passar por uma reforma completa, incluindo serviços de soldagem, vedação e recuperação da estrutura metálica. O balseiro, proprietário da balsa, informa que não possui condições financeiras para arcar com os custos da reforma e aguarda apoio, tanto do poder público quanto do setor privado, de quem possa contribuir para a recuperação dessa estrutura essencial.

Em maio do ano passado, durante um período de cheia do rio, a balsa chegou a ser arrastada pela força das águas, deslocando-se até as proximidades da BR-287, no trecho entre São Pedro do Sul e São Vicente do Sul. Na ocasião, a estrutura precisou ser rebocada pelos próprios moradores, que se mobilizaram para levá-la de volta ao seu local de origem, onde funcionava regularmente. O episódio evidenciou a vulnerabilidade da balsa diante da falta de manutenção adequada e a dependência da comunidade em relação à travessia.

A paralisação afeta diretamente a população de Vila Clara e comunidades do entorno, que dependem da balsa para acesso a serviços básicos, trabalho, estudo, saúde e comércio. Sem a travessia, o trajeto direto até São Pedro do Sul, que seria de aproximadamente 20 quilômetros, torna-se inviável. Já o deslocamento até Santa Maria, que normalmente levaria cerca de 70 quilômetros, passa a exigir um percurso muito maior.

Atualmente, os moradores são obrigados a realizar um desvio passando pelo município de Mata e por São Vicente do Sul, o que amplia a distância para cerca de 60 quilômetros até São Pedro do Sul e 110 quilômetros até Santa Maria. Esse aumento representa mais tempo de viagem, maior consumo de combustível, desgaste dos veículos e prejuízos financeiros recorrentes. Estima-se que entre 10 e 15 veículos utilizem diariamente esse deslocamento alternativo, incluindo trabalhadores, produtores rurais, estudantes e famílias.

A relevância da balsa ficou ainda mais evidente durante as enchentes de 2024, quando ocorreu a queda da estrutura da ponte rodoviária sobre a várzea do Rio Toropi, na BR-287. Com a interdição da ponte, responsável por uma ligação estratégica entre regiões do estado, a balsa passou a ser a única travessia disponível na região, especialmente para quem precisava realizar deslocamentos no sentido centro-oeste do estado.

No local também existe uma ponte férrea histórica, cuja estrutura é restrita ao uso ferroviário. Entretanto, não há circulação de trens nesse trecho, já que a malha ferroviária regional encontra-se desativada. Dessa forma, a ponte férrea não atende ao tráfego de veículos e não cumpre atualmente função prática de mobilidade para a população.

Diante desse contexto, a ausência da balsa agrava o isolamento das comunidades ribeirinhas e evidencia a dependência histórica da travessia fluvial como infraestrutura essencial para a região, reforçando a necessidade de apoio para que o serviço possa ser reativado o quanto antes.

GOSTOU DA NOTÍCIA? COMPARTILHE

PARCEIROS