Soldado do Corpo de Bombeiros é o primeiro paciente do RS a receber aplicação de Polilaminina em Hospital da Brigada Militar

 Fotos: Soldado William Rosa/PM5

O soldado do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul, Giuliano Freitas, tornou-se o primeiro paciente no Rio Grande do Sul a receber aplicação da proteína Polilaminina, utilizada em tratamento experimental voltado à regeneração neurológica. O procedimento ocorreu na última quinta-feira (19), no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre, na capital gaúcha, e foi realizado por uma equipe especializada vinda do Rio de Janeiro.

A Polilaminina é uma proteína estudada por seu potencial de estimular respostas associadas à regeneração neurológica em pacientes com lesão medular. A substância vem sendo analisada em pesquisas experimentais voltadas à reabilitação de pessoas paraplégicas e tetraplégicas. Na prática, ela funciona como uma espécie de “ponte”, que pode auxiliar nas reconexões nervosas perdidas.

Segundo o tenente-coronel médico Renan Cabral, do hospital, o tratamento ainda não faz parte dos protocolos convencionais da medicina. Por isso, sua aplicação depende de autorização específica dos órgãos competentes.

 – Ela ainda não integra protocolos convencionais. Neste caso, houve decisão judicial favorável e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, cabendo ao Hospital da Brigada Militar oferecer suporte assistencial para que a equipe habilitada realizasse a aplicação – explicou.

Acidente durante atendimento de incêndio

O bombeiro atuava em Santana do Livramento quando sofreu um grave acidente em serviço. No dia 31 de dezembro de 2025, por volta das 5h30, ele foi chamado para atender uma ocorrência de incêndio em um mercado. Durante a ação, um portão de uma área que normalmente não apresentava risco acabou explodindo, ferindo seis bombeiros.

Giuliano foi o mais afetado. Ele sofreu fraturas no pescoço, no braço e no nariz, além de ter ficado inconsciente. O militar foi removido de helicóptero para Porto Alegre e acordou apenas no dia 5 de janeiro, quando recebeu a notícia de que estava paraplégico.

– Foi um choque grande quando eu acordei e já não sentia do peito para baixo. Quando me explicaram o que tinha acontecido, levei um bom tempo para conseguir digerir –  relatou.

No dia 13 de janeiro, ele foi transferido para o Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre, onde permanece internado. De acordo com o soldado, o apoio da equipe médica e dos profissionais de saúde tem sido fundamental para enfrentar o processo de recuperação.

Determinação na reabilitação

As sessões de fisioterapia começaram no dia 21 de janeiro, em uma clínica localizada no bairro Cristal, na zona sul de Porto Alegre. A possibilidade de utilizar a Polilaminina surgiu ainda enquanto o militar estava inconsciente, por meio da iniciativa de familiares que buscaram alternativas de tratamento.

Após a autorização judicial e liberação da Anvisa, o procedimento foi realizado. Desde então, Giuliano mantém uma rotina intensa de reabilitação, com cerca de três horas diárias de fisioterapia.

O bombeiro destaca que encara o tratamento com determinação.

 – Assim que comecei a fisioterapia, eu dei meu máximo. Para eu ficar de pé, demorou um mês e meio. Eu desmaiava, caía a pressão. O pessoal dizia para esperar alguns minutos, mas eu respondia: ‘eu não negocio com a dor’. Não termino quando estou cansado ou com dor; eu termino quando acaba – afirmou.

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