Dois homens de 37 e 50 anos foram condenados pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (31), no Fórum de Santa Maria, pelo homicídio qualificado de José Romeu Corrêa, de 74 anos, crime ocorrido em 2016. O homem de 50 anos foi condenado a 18 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, enquanto o réu de 37 anos recebeu pena de 16 anos de reclusão.
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O julgamento foi presidido pelo juiz Ulysses Louzada e contou com a atuação do advogado Divor Rites Bassan Filho como assistente de acusação durante a sessão.
A defesa dos réus foi realizada pelos advogados Daniel Tonetto e Matheus Quartieri. O homem de 37 anos também foi representado pela defensora pública Valéria Brondani.
Desaparecimento foi registrado pelo filho
O desaparecimento de José Romeu foi comunicado pelo filho da vítima após ele não retornar para casa.
Segundo o registro policial, o idoso morava em São Martinho da Serra e, no dia 3 de julho de 2016, foi para Santa Maria participar de carreiras de cavalo na localidade de Portão Branco, na chamada Cancha do Buraco.
De acordo com o relato, a vítima estava com cerca de R$ 15 mil, valor que havia sido emprestado por um morador da mesma cidade.
Após permanecer no local das corridas até aproximadamente 18h, José Romeu seguiu até a Rua José Barin, nas proximidades do Bar do Seu Juca, onde aguardaria transporte para retornar para casa.
Um familiar chegou a vê-lo na parada de ônibus naquele local, porém, depois disso, ele não foi mais visto. O telefone do idoso passou a cair diretamente na caixa postal, o que levou a família a registrar o desaparecimento.
Crime foi cometido após falsa carona
Conforme a investigação, os acusados sabiam da rotina da vítima e aguardaram por ela justamente na parada de ônibus da Rua José Barin, local onde ele costumava pegar transporte para voltar para São Martinho da Serra.
Aproveitando-se da confiança do idoso, os homens ofereceram uma carona. José Romeu entrou no veículo acreditando que seria levado até o ponto de retorno para casa.
No entanto, os acusados seguiram pela Estrada do Divino, na zona rural de Santa Maria, onde o idoso acabou sendo assassinado.
A investigação apontou que o crime teria sido motivado por questões financeiras. Um dos acusados teria uma dívida de cerca de R$ 15 mil com a vítima, além do fato de que José Romeu guardava dinheiro, o que teria despertado o interesse dos autores.
Corpo foi encontrado dias depois
O corpo de José Romeu foi localizado no dia 12 de julho de 2016, por volta das 13h, em uma área rural conhecida como Campestre do Divino, no distrito de Santo Antão, próximo à Capela do Divino.
Uma guarnição da Patrulha Rural da Brigada Militar foi acionada após um morador da região relatar uma descoberta em sua propriedade.
O homem contou aos policiais que seus cães apareceram com um osso, o que o levou a verificar o local. Durante a averiguação, ele acabou encontrando uma ossada parcialmente enterrada ao lado de uma sanga.
No local, a Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias (IGP) realizaram os levantamentos. Foram coletados materiais genéticos para exame de DNA e localizados objetos próximos aos restos mortais, entre eles uma faca suja de sangue, um cartão da Patrulha Rural parcialmente legível, um calçado queimado e um boné preto.
A cerca de 30 metros do ponto onde estava o corpo, os peritos também identificaram marcas de lesão na beira da estrada, indicando possível local onde a vítima pode ter sido atacada.
Manifestação da acusação
Após a decisão dos jurados, o advogado Divor Rites Bassan Filho destacou a importância da condenação.
— A decisão do Tribunal do Júri representa uma resposta firme da Justiça diante de um crime grave. A condenação reafirma o compromisso com a responsabilização dos autores e com a memória da vítima — afirmou.
O julgamento encerra um caso que se arrastava há anos e que teve grande repercussão pela forma como o crime foi planejado e executado.