Uma audiência realizada na tarde de terça-feira (31), na Justiça Federal de Santa Maria, buscou mediar os conflitos envolvendo integrantes da comunidade indígena que ocupa parte da área do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ciflore), antiga Fepagro, na localidade de Boca do Monte, zona rural do município.
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A reunião iniciou por volta das 14h30min e terminou próximo das 18h15min, totalizando cerca de três horas de duração. Durante o encontro, representantes da comunidade indígena, do Instituto Assistencial de Bem Estar Animal (IABEA) e funcionários do Estado debateram a convivência no local.
Conforme relatado após a audiência, foi construída uma conciliação entre as partes, com o compromisso de evitar novos atritos.

Segundo o advogado Christiano Pretto, representante do IABEA, o principal encaminhamento foi o estabelecimento de respeito mútuo entre todos que utilizam a área.
— A audiência durou em torno de três horas. Começou às duas e meia da tarde e terminou próximo das seis e quinze. Houve uma composição entre as partes, que se comprometeram em não entrar mais em atrito e respeitar uns aos outros, tanto o Instituto IABEA quanto os funcionários do Ciflore e o pessoal da comunidade indígena — explicou.
Ainda de acordo com o advogado, durante a audiência também foi discutida a necessidade de melhorar a convivência entre os grupos, já que todos utilizam o mesmo espaço.
— Debatemos bastante sobre a questão de que todos estão convivendo no mesmo lugar e precisam viver com mais harmonia do que vinha acontecendo. Ficou determinado esse comprometimento de respeito mútuo. Foi uma conciliação realizada pelo juiz — acrescentou.
Para Pretto, o encontro representou um passo importante para reduzir as tensões que vinham sendo registradas no local.
— É possível afirmar que a audiência de conciliação desempenhou um papel essencial no início da pacificação do conflito, sobretudo diante dos recentes acontecimentos que intensificaram as tensões entre as partes. O ato serviu não apenas como um espaço de diálogo, mas também como instrumento efetivo para restabelecer a racionalidade e abrir caminho para uma solução consensual no futuro — afirmou.
Conflito e agressão no fim de semana
A audiência ocorreu poucos dias após um conflito registrado no sábado (28) na mesma área.
Na ocasião, a presidente do Instituto Assistencial de Bem Estar Animal (IABEA), Alexandra de Abreu Pinheiro, de 45 anos, registrou ocorrência após relatar ameaças e agressão durante um desentendimento com integrantes da comunidade indígena.
O caso ocorreu na área ocupada por indígenas desde 15 de julho do ano passado, dentro das instalações do Ciflore.
Conforme o registro policial, um funcionário da instituição foi abordado por três indígenas, que estariam armados com faca, facão e punhal, enquanto ele se deslocava pela área. A estrada teria sido bloqueada, e um dos homens ordenou que ele descesse do veículo para resolver a situação.
Durante a discussão, um dos indígenas assoviou para chamar outros integrantes da comunidade, que também foram até o local.
No meio da confusão, Alexandra de Abreu Pinheiro acabou sendo agredida pela esposa do cacique da comunidade, fato que levou ao registro da ocorrência policial.
Com a audiência realizada nesta semana, a expectativa é que novos episódios de conflito sejam evitados e que a convivência entre os grupos ocorra de forma mais pacífica.