Pais não irão mais mandar filhos para escola após falta de professores no interior de São Pedro do Sul

Uma mãe moradora da localidade de Chiniquá, no interior de São Pedro do Sul, procurou a reportagem para denunciar a grave falta de professores na Escola Municipal Naurelino Souto. Segundo o relato, alunos do 3º e 4º ano estão sem docente desde o início do ano letivo, em fevereiro.

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De acordo com a mãe, a situação também é crítica na pré-escola, onde as crianças estariam sendo atendidas apenas por duas monitoras. Entre os alunos, há uma criança com autismo e outra com síndrome de Down, o que, segundo ela, exige ainda mais atenção e acompanhamento adequado.

– Já fomos à Câmara, já fomos na Secretaria de Educação, e a resposta é sempre a mesma: não tem professor disposto a vir para o interior. Mas algo precisa ser feito. Aumenta salário, cria incentivo, não sei. O que não dá é deixar as crianças sem aula – desabafa.

Além da mãe, um pai também procurou a reportagem e relatou dificuldades enfrentadas pela família devido à falta de profissionais:

– Estavamos há mais de dois meses de aula e não tinhamos monitores. Minha filha teria aula integral, mas desde 18 de fevereiro, início das aulas, precisavamos busca-lá ao meio-dia e levar novamente à tarde, por causa da ausência de monitores, porém, o problema foi resolvido nesta quarta-feira (29). – afirmou.

Ele ainda descreveu o cenário considerado mais crítico na escola da localidade de Chiniquá:

– No colégio de Chiniquá a situação ainda é pior. Lá tem monitores, mas faltam professores. Os alunos do 3º e 4º anos estão sem professor desde o início do ano, quem está fazendo de conta que dá aula é a diretora e os monitores. O pré de lá faz mais de um mês que está sem professora, que está afastada por atestado, e os monitores assumiram a turma. Os pais de lá vão procurar o Ministério Público porque não vão mais mandar os filhos.

O pai também destacou a dificuldade enfrentada por famílias que dependem da escola em turno integral:

– Estava falando com o pai de uma colega da minha filha sobre essa situação. Estava bem difícil. A gente ainda conseguia dar um jeito de buscar e levar ao meio-dia, mas tem pais que realmente precisam que as crianças fiquem na escola em período integral.

A mãe afirma que a comunidade escolar já tentou resolver a situação por vias administrativas, mas sem sucesso. Diante da falta de respostas, pais e responsáveis planejam procurar o Ministério Público no início da próxima semana. Como forma de pressão, as mães relatam que não irão enviar os filhos para a escola a partir de segunda-feira (4), até que professores sejam designados.

O problema, segundo ela, afeta diretamente famílias da zona rural, que dependem exclusivamente da escola pública. – Muitos pais escolheram morar no interior para dar uma qualidade de vida melhor aos filhos, mas também tem quem não tenha outra opção. E a única alternativa de ensino é a escola. Não podemos aceitar isso – afirma.

Ainda conforme os relatos, há pais que evitam se manifestar publicamente por medo de represálias ou por manterem vínculo empregatício formal, o que dificulta a mobilização coletiva.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de São Pedro do Sul na manhã de terça-feira (28). Por meio da assessoria de comunicação, o município informou: “Vamos verificar a situação junto aos setores responsáveis e entraremos em contato assim que tivermos um posicionamento oficial.”

O espaço segue aberto para manifestação das autoridades.

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