Foi absolvido pelo Tribunal do Júri o detento José Carlos dos Santos, conhecido como Seco, 45 anos, acusado de envolvimento no assassinato de Taís Cristina Menezes Godoi, 27 anos, ocorrido no fim de 2016 em Santa Maria. O julgamento ocorreu ao longo desta sexta-feira (28), no Foro da Comarca do município, e terminou com a absolvição do réu pelo Conselho de Sentença. O Ministério Público já anunciou que irá recorrer.
A decisão foi lida pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, após mais de dez horas de sessão. O júri foi composto por três mulheres e quatro homens. O promotor Davi Lopes Rodrigues Júnior conduziu a acusação, que sustentava que Seco teria ordenado o homicídio de dentro do sistema prisional. Dois outros acusados, apontados como executores do crime, já haviam sido condenados em júri anterior.
A defesa, representada pelo advogado Jean de Menezes Severo, comemorou o resultado. Segundo ele, Seco “jamais teve participação em qualquer assassinato” e a tese da negativa de autoria foi aceita de forma unânime pelo júri.
Preso desde 2006, Seco ganhou notoriedade à época por ser considerado líder de uma das principais quadrilhas de assaltos a bancos e carros-fortes do Rio Grande do Sul, além de ter figurado como o criminoso mais procurado do Estado, conforme a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Ele segue recolhido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), em uma ala da facção Bala na Cara, cumprindo pena superior a 200 anos de reclusão.
O crime
O homicídio de Taís Cristina ocorreu em 3 de novembro de 2016, na rua Antônio Abrahão Berleze, no bairro Presidente João Goulart, área conhecida como Beco da Tela. A jovem foi atingida por pelo menos 14 disparos de pistola dentro de sua residência e morreu diante dos pais. A motivação do crime e a participação dos executores já haviam sido discutidas em julgamento anterior, mas a suposta autoria intelectual atribuída a Seco não foi confirmada pelo júri desta sexta-feira (28).