Brasil registra queda na violência letal, mas crimes contra crianças, mulheres e no ambiente virtual disparam, revela Anuário 2025

O Brasil registrou uma leve redução na violência letal em 2024, com 44.127 mortes violentas intencionais (MVIs), o que representa uma taxa de 20,8 por 100 mil habitantes. Apesar do dado positivo, o Anuário da Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (24) revela um retrato preocupante: o crescimento expressivo de crimes contra crianças e adolescentes, violência doméstica e a explosão de fraudes e furtos no ambiente virtual.

Perfil das vítimas da violência letal

A maioria das vítimas das MVIs era composta por homens (91,1%), negros (79%) e jovens de até 29 anos (48,5%). A arma de fogo segue como o principal instrumento (73,8%), e os crimes ocorrem, em sua maioria, em via pública (57,6%).

Crianças e adolescentes: alvo crescente da violência

O levantamento registrou 60.394 casos de violência contra crianças e adolescentes, com crescimento em todas as faixas etárias em comparação a 2023. Entre os crimes mais comuns estão maus-tratos, abandono de incapaz, violência sexual e agressões decorrentes de violência doméstica. A maioria das vítimas tinha entre 10 e 17 anos.

As mortes violentas intencionais entre menores de idade cresceram 3,7%, sendo 14% causadas por policiais. Em algumas cidades, mais da metade dos homicídios de jovens foram praticados por agentes do Estado.

Feminicídios e estupros atingem recordes

Foram registrados 1.492 feminicídios em 2024. Dessas vítimas, 63,6% eram negras, 70,5% tinham entre 18 e 44 anos, e 64,3% foram mortas dentro de casa. Em 97% dos casos, os autores eram homens, sendo a maioria companheiros ou ex-companheiros.

O número de estupros e estupros de vulnerável também bateu recorde, com 87.545 vítimas, das quais 76,8% estavam em condição de vulnerabilidade. A taxa nacional foi de 41,2 por 100 mil habitantes.

Estelionatos e fraudes: crime migra para o mundo virtual

O crime digital se tornou um dos maiores desafios das autoridades. Em 2024, foram registrados mais de 2,1 milhões de casos de estelionato, uma taxa de 1.019,2 por 100 mil habitantes, revelando uma epidemia de golpes digitais. A baixa capacidade do sistema de Justiça em investigar e punir os responsáveis contribui para o cenário de impunidade.

Além disso, quase 918 mil aparelhos celulares foram roubados ou furtados. Os principais alvos são jovens de 20 a 39 anos (52%), negros (63,1%) e homens (59,1%). A cidade de São Paulo, embora tenha apenas 5,6% da população nacional, concentra 18,5% de todos os casos de roubo e furto de celular.

Violência policial e suicídios entre agentes

A letalidade policial continua elevada: 6.243 pessoas foram mortas pelas forças de segurança. Em 14% dos municípios brasileiros, mais da metade dos homicídios tiveram autoria policial. A maioria das vítimas também é negra, do sexo masculino e foi morta com arma de fogo em via pública.

Chama atenção ainda o número de suicídios entre policiais, que superou o de assassinatos durante a folga: foram 126 suicídios contra 124 homicídios fora do horário de serviço.

Crescimento das apreensões e do sistema prisional

As apreensões de drogas aumentaram entre 2023 e 2024. Só de maconha, foram 1,4 milhão de quilos, crescimento de 21,5%. A cocaína somou 128,8 mil quilos, alta de 10,1%.

O sistema prisional também apresentou expansão: 909.594 pessoas estavam privadas de liberdade em 2024. Destes, 94% são homens e 68,7% negros. O déficit de vagas no sistema chegou a 237 mil.

Regiões mais violentas e cidades com maiores taxas

As 10 cidades mais violentas do país estão no Nordeste, com destaque para Maranguape (CE), Jequié (BA) e Juazeiro (BA). A desigualdade regional é evidente: enquanto Sul e Centro-Oeste registram taxas de homicídio abaixo de 15 por 100 mil habitantes, o Norte e o Nordeste ultrapassam 30.

Já a cidade com maior taxa de estupros e estupros de vulnerável é Boa Vista (RR), seguida por Sorriso (MT), Ariquemes (RO), Vilhena (RO) e Porto Velho (RO).

Resumo dos principais dados do Anuário 2025

  • Mortes violentas intencionais: 44.127

  • Feminicídios: 1.492

  • Estupros e estupros de vulnerável: 87.545

  • Violência contra crianças e adolescentes: 60.394 casos

  • Aparelhos celulares roubados/furtados: 917.748

  • Estelionatos: 2.166.552 registros

  • Letalidade policial: 6.243 mortes

  • População carcerária: 909.594 pessoas

  • Despesas com segurança pública: R$ 153 bilhões em 2024

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