Delegado detalha combate às “rachadinhas” durante operação na Câmara de São Gabriel

A ação da Polícia Civil que investiga um esquema de “rachadinhas” na Câmara de Vereadores de São Gabriel foi marcada por um pronunciamento firme do delegado Daniel Severo no plenário do Legislativo, na manhã desta sexta-feira, durante o cumprimento das medidas judiciais da Operação Vantagem Indevida.

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Ao se dirigir a vereadores e servidores, o delegado explicou o foco da investigação e a tipificação do crime apurado.

— “Hoje nós estamos aqui numa operação policial dedicada a combater o crime de concussão. Qual que crime é esse? A famosa rachadinha. É a exigência por parte de vereadores de devolução de verbas salariais” — afirmou.

Alerta contra manifestações e tentativa de interferência

Durante a fala, o delegado pediu a colaboração de todos para garantir o cumprimento dos mandados e advertiu que qualquer tipo de manifestação poderia ser interpretada como tentativa de obstrução.

— “Manifestações a favor da operação ou contra, aplausos ou tumulto, vão ser entendidos como obstrução do cumprimento do mandado” — destacou.

Ele também fez um alerta sobre o uso de celulares e comunicações digitais no momento da ação.

— “Essas comunicações são facilmente rastreáveis. Sugiro que vocês não se engajem nesse tipo de contato. Nós não estamos para brincadeira e vamos representar pelas preventivas de todos, se necessário” — disse.

Servidores são tratados como vítimas ou testemunhas

Na sequência, o delegado buscou tranquilizar os funcionários da Casa Legislativa, ressaltando que, dentro da investigação, eles não são alvos principais.

— “Do ponto de vista da investigação, vocês que vão ser envolvidos hoje são testemunhas ou eventualmente vítimas” — pontuou.

Vereadores afastados

Por ordem judicial, foram afastados dos cargos os vereadores Elson Teixeira e Rodrigo Machado, ambos do PDT. As ordens judiciais também determinaram o afastamento, ainda não cumprido, mas em vias de ser efetivado, de dois servidores que, conforme a investigação, teriam participado da exigência de devolução de parte dos salários como condição para a manutenção nos cargos ou até mesmo para a investidura nas funções.

Os investigados estão proibidos de manter contato com os demais servidores do Legislativo, seja de forma presencial, virtual ou por intermédio de terceiros, sob pena de prisão em caso de descumprimento da medida.

Operação apura crime de concussão

A operação apura a exigência de parte dos salários de assessores como condição para nomeação ou permanência nos cargos, prática conhecida como “rachadinha”, que se enquadra no crime de concussão.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão no prédio da Câmara, no anexo e nas residências dos investigados. Documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais foram recolhidos e passarão por perícia para aprofundar a apuração e individualizar as condutas.

As investigações seguem em sigilo e o material apreendido será analisado pela Polícia Civil.

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