Empréstimos em nome de idosos e pessoas mortas levam à prisão de gerente-geral de banco no RS

O gerente-geral de uma agência bancária em Palmeira das Missões foi preso na manhã desta terça-feira (20) durante a deflagração da Operação Digital Fantasma, realizada pela Polícia Civil. A ação coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/Derccc), sob a coordenação do delegado João Vitor Herédia, também foi realizada em Caçapava do Sul.

Além do gerente-geral, outras duas pessoas também foram presas, sendo a esposa dele e um caixa da agência. Ao todo, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva, além de ordens judiciais de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e de ativos financeiros.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo é investigado por fraudes que ultrapassam R$ 2,4 milhões, praticadas por meio de uma sofisticada engenharia criminosa instalada dentro da própria instituição financeira.

Fraude interna e violação biométrica

As investigações apontaram que o esquema se baseava no abuso de confiança e no acesso privilegiado aos sistemas internos do banco. O grupo selecionava contas inativas pertencentes a idosos entre 81 e 96 anos, além de contas em nome de pessoas já falecidas, consideradas alvos hipervulneráveis.

Para burlar os mecanismos de segurança, um operador do sistema utilizava a própria biometria digital, registrando falsamente que os clientes eram analfabetos, o que dispensava a assinatura física. Essa prática ficou conhecida como a chamada “digital fantasma”.

O gerente-geral, utilizando credenciais de alto nível, alterava os cadastros das vítimas, atribuindo rendas fictícias que chegavam a R$ 2,5 milhões, elevando artificialmente o score de crédito. Com isso, eram liberados empréstimos pessoais de alto valor, sem garantias reais.

Saques em dinheiro e ocultação dos valores

Após a liberação dos créditos, os valores eram sacados em espécie, evitando transferências eletrônicas que pudessem facilitar o rastreamento. Conforme apurado, a esposa do gerente-geral atuava na logística de saque e ocultação do dinheiro, realizando saques fracionados que somaram mais de R$ 1,4 milhão, utilizando roupas e acessórios para dificultar a identificação por câmeras de segurança.

Investigação e urgência da operação

A investigação teve início após a identificação de inconsistências graves nas operações de crédito da agência. Por meio de análise de logs de sistema e inteligência cibernética, a Polícia Civil conseguiu mapear toda a estrutura da associação criminosa.

Segundo a polícia, o gerente-geral atuava como mentor intelectual do esquema, o funcionário subordinado executava a fraude biométrica, enquanto familiares eram responsáveis pela lavagem e movimentação dos valores ilícitos.

A deflagração da operação ocorreu em regime de urgência devido ao iminente retorno do principal investigado às suas funções na agência, o que poderia resultar em destruição de provas digitais e coação de testemunhas.

A Polícia Civil reforçou que a Operação Digital Fantasma demonstra o compromisso da instituição no combate a organizações criminosas, especialmente aquelas que se infiltram em estruturas formais para a prática de crimes financeiros de grande impacto econômico e social.

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