Falta de drenagem e impasse ambiental provocam enchentes e prejuízos em pousada de Silveira Martins

Um problema de drenagem pluvial aliado a entraves ambientais tem causado transtornos recorrentes em uma pousada localizada no interior de Silveira Martins. O administrador do local, Fulvio Bastiani Benetti, afirma que já enfrentou pelo menos três enchentes nos últimos dois anos, situação que também atinge estabelecimentos vizinhos.

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Segundo ele, o principal problema está na obstrução de tubulações responsáveis pelo escoamento da água da chuva, o que provoca o transbordamento de um córrego que passa pela propriedade.

– Não está tendo apoio dos meios públicos. A água da chuva não tem para onde escoar, os canos estão obstruídos e acaba transbordando. Já tivemos três enchentes e isso afeta todo mundo aqui ao redor – relatou.

Além dos alagamentos, o empresário também destaca outro problema: o forte odor durante períodos de estiagem.

– No verão, quando dá uma seca, vem um cheiro muito forte. A gente precisa pensar no futuro e agir agora – afirmou.

Impasse ambiental dificulta solução

De acordo com Benetti, o córrego passa dentro da propriedade, mas ele não pode realizar intervenções por conta própria, pois a área é considerada de preservação permanente.

– Me alegam que estou em área de preservação e que qualquer modificação precisa de autorização. Já tentei diversas vezes buscar essa autorização, mas não tive retorno efetivo. Não quero correr risco de multa ou de fazer algo irregular – explicou.

Ele também demonstra preocupação com a segurança no local, citando riscos de acidentes e contaminação.

– Existe o risco de alguém cair, de uma criança se machucar ou até de contaminação ao lidar com essa água – disse.

Canalização incompleta agrava situação

O administrador acredita que o curso do córrego tenha sido alterado no passado e aponta que uma obra de canalização iniciada em 2012 não foi concluída, além de não receber manutenção adequada.

 – Essa canalização foi desviada para cá, mas parou no meio do caminho. Está parcialmente entupida e sem manutenção. Acaba virando um problema para nós, mas isso não é só responsabilidade privada – destacou.

Prejuízos e risco de novos danos

Com a proximidade de períodos de chuva, a preocupação aumenta. Benedetti relata que a água já causou erosão em muros e ameaça atingir novamente a pousada, empresas próximas e residências da região.

– Já está causando erosão, derrubando contenções de terra. Pode voltar a invadir a pousada, empresas vizinhas e casas. A preocupação é constante – afirmou.

Ele diz ainda que tentou contato com a prefeitura, inclusive se propondo a ajudar na execução da obra ou dividir custos, mas não obteve autorização.

Questionado pela reportagem, o prefeito Sadi Tolfo afirmou que ainda irá conversar com o empresário sobre a situação e destacou ações já realizadas no município para minimizar problemas causados pelas chuvas.

– Vou conversar com o Fulvio. Provavelmente tenha tratado desse assunto com o prefeito anterior. Na minha gestão, que se iniciou em janeiro do ano passado, não me procurou para tratar desse assunto.

O chefe do Executivo também afirmou que a prefeitura já realizou o desassoreamento dos riachos da cidade e vem executando medidas preventivas com orientação técnica da UFSM.

– Eu já desassoreei os riachos de Silveira Martins totalmente e estou, por orientação de técnicos da UFSM, fazendo contenções para amenizar as precipitações pluviométricas no sentido de não ocorrer um volume muito elevado nessas situações – declarou.

Solução proposta

Como alternativa, o empresário defende uma ação conjunta entre poder público e órgãos responsáveis, com a conclusão da canalização e a implantação de um sistema adequado de drenagem.

– O ideal seria uma canalização completa ou até uma estação de tratamento que leve essa água para um local seguro, sem prejudicar ninguém – concluiu.

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