Júri de acusado de matar ex-companheira com facadas no Centro de Santa Maria segue em andamento

O julgamento de Luiz Roney Freitas da Costa, acusado de matar a ex-companheira, Mariane de Souza Ravazi, com golpes de faca em 2024 no Centro de Santa Maria, segue em andamento nesta quinta-feira (14), no Fórum de Santa Maria. O júri popular começou pouco antes das 14h e é presidido pelo juiz Ulisses Fonseca Louzada. O conselho de sentença é composto por três homens e quatro mulheres. A previsão é de que os trabalhos se estendam até a noite.

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A primeira a ser ouvida é a delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Santa Maria, Elisabete Shimomura, responsável pela investigação do caso. Ela apresenta aos jurados detalhes sobre a apuração policial e a dinâmica do crime.

O feminicídio aconteceu na manhã de 9 de outubro de 2024, por volta das 9h40min, na Rua Silva Jardim, região central da cidade. Mariane, de 40 anos, trabalhava no setor de limpeza de uma empresa terceirizada e havia acabado de chegar ao trabalho quando encontrou o ex-companheiro no local.

Ao perceber a presença de Luiz Roney, a vítima tentou fugir pela garagem do prédio e chegou a fazer contato com o pai e também com a Brigada Militar pedindo ajuda. Mesmo assim, foi perseguida pelo acusado até o interior de um restaurante, onde acabou sendo atingida por facadas e morreu ainda no local

Segundo a investigação, Mariane possuía medidas protetivas contra o ex-companheiro. Os dois mantiveram um relacionamento de 11 anos e estavam separados havia cerca de um mês quando o crime ocorreu. Após o ataque, o acusado fugiu, mas foi preso em flagrante poucos minutos depois.

Antes do início do julgamento, o pai da vítima, Cedi Madeira Ravazi, falou sobre o sofrimento enfrentado pela família desde a morte da filha e afirmou que espera por justiça.

– Desde o acontecimento, a gente não teve mais… não tem como superar. Hoje a gente espera justiça. Esse peso que a gente tem não alivia nunca. A gente sofre o dia inteiro, mas espera que ele receba o castigo que merece – declarou.

O advogado assistente de acusação, Bernardo Raddatz, afirmou que a expectativa da acusação é pela condenação do réu pelas três qualificadoras apontadas no processo.

– Viemos buscar justiça em nome da família e em nome da Mariane. É um caso que teve muita repercussão pela crueldade. Foi uma vítima atacada sem possibilidade de defesa – destacou.

Bernardo Raddatz também explicou que o caso ocorreu um dia antes da entrada em vigor da nova lei do feminicídio, sancionada em 10 de outubro de 2024.

– Esse crime aconteceu no dia 9 de outubro, então o feminicídio ainda é tratado como qualificadora neste processo e não como tipo penal autônomo, como passou a ser após a mudança da lei – explicou.

Segundo ele, a acusação entende que não há dúvidas quanto à autoria do crime.

– Com todas as provas que existem, não há discussão quanto à autoria. Acreditamos na condenação para trazer justiça à família, à comunidade de Santa Maria e também ajudar no combate ao feminicídio, que é intolerável. Uma pena justa, firme e alta mostra que Santa Maria não aceita feminicídio – concluiu.

Já o advogado de defesa, Matheus Lang, afirmou que a estratégia da defesa é buscar o esclarecimento dos fatos e garantir um julgamento considerado justo.

 – A defesa técnica do Luiz busca a verdade. Viemos aqui para esclarecer os fatos. Muita coisa já está no processo, mas hoje estamos aqui principalmente para que o Luiz seja ouvido – afirmou.

O defensor explicou que o acusado não havia prestado depoimento em outras fases do processo por decisão estratégica da defesa.

– Foi uma opção da defesa não expor ele em outras fases do processo, por uma questão de segurança e também emocional dele próprio. Hoje ele vai prestar depoimento e esclarecer todos os fatos – destacou.

Matheus Lang também disse confiar na atuação do Poder Judiciário e dos jurados responsáveis pelo julgamento.

– Confiamos na instituição do Poder Judiciário, confiamos nos jurados e pretendemos esclarecer a verdade, buscando sempre um julgamento justo para aquilo que foi feito e efetivamente comprovado – concluiu.

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