Os advogados Rebeca Canabarro de Matos e Andrei Nobre, que representam a defesa de Elisa Carvalho, 36 anos, mãe de Isabelly Carvalho Brezzolin, divulgaram nesta quinta-feira (13) um vídeo nas redes sociais no qual conversam com a cliente por meio de chamada de vídeo. Na gravação, Elisa fala pela primeira vez sobre a morte da filha, ocorrida em 8 de maio, no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), e denuncia o que classifica como uma “perseguição midiática e social” que a transformou, injustamente, em suspeita pelo crime.
Isabelly, de 11 anos, morreu após dar entrada no hospital com hematomas, lesões e possíveis sangramentos genitais.

Prisão do pai da menina

Na terça-feira (11), agentes da Delegacia de Polícia de São Gabriel prenderam novamente o pai de Isabelly, de 56 anos, por determinação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). A prisão preventiva foi cumprida no bairro Mariana, sob coordenação do delegado Daniel Severo.
De acordo com a Polícia Civil, o homem havia sido indiciado por envolvimento na morte da filha, ocorrida em maio de 2024. Ele chegou a ser preso em flagrante na época, mas foi liberado dias depois por decisão judicial. O Ministério Público recorreu da decisão de soltura, e o TJRS determinou a nova prisão preventiva. O suspeito foi encaminhado ao presídio, onde permanece à disposição da Justiça.
A cronologia do caso
7 de maio de 2024 – Isabelly foi levada em estado grave à Santa Casa de Caridade de São Gabriel, apresentando hematomas e lesões pelo corpo. Os pais foram presos em flagrante por suspeita de maus-tratos e estupro de vulnerável.
8 de maio de 2024 – A menina foi transferida para o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), onde morreu.
Dias depois, uma decisão judicial concedeu liberdade ao casal, que passou a responder ao processo fora da prisão.
Laudo pericial – O Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontou que a morte foi causada por complicações sépticas decorrentes de pneumonia, sem indícios de agressão física ou violência sexual. A Santa Casa de São Gabriel também informou, em nota, que os exames feitos na admissão não mostraram fraturas ou sinais de abuso.
O desabafo de Elisa
Durante o vídeo divulgado pela defesa, Elisa fala sobre o sofrimento da perda e o impacto das acusações.
“Eu não esperava por isso, que ela ficasse doente e viesse a falecer. Nem me deixaram ver ela. Eu queria que ela estivesse aqui comigo agora, mas não vai estar. Eu acho muita falta dela. Ela era minha amiga, minha companheira. Eu era feliz, agora que ela se foi eu fico triste, muito triste”, desabafou.
Elisa também disse que não pôde se despedir da filha.
“Eu tava na prisão, e ninguém me deixou ir. Não tive o direito de me despedir da minha filha.”
A mãe falou ainda sobre o companheiro, afirmando que ele sempre foi um bom pai e não representa risco.
“Ele é um bom companheiro, um bom pai. Eu quero dizer para a Justiça que nós somos inocentes e quero provar isso. Já perdi a minha filha e agora tiraram ele de mim também.”
Defesa fala em perseguição
Os advogados afirmam que Elisa e o companheiro têm colaborado com a Justiça e que o caso foi marcado por exposição pública e julgamentos precipitados.
“Elisa foi submetida a um verdadeiro tormento. Ela foi presa injustamente, transferida diversas vezes e, mesmo após ser solta, segue sendo alvo de ataques e julgamentos públicos”, declarou Rebeca Canabarro.
O advogado Andrei Nobre reforçou que o vídeo foi divulgado para “dar voz a uma mulher silenciada e julgada antes do fim da investigação”.