Mais de 15 mil presos trabalham no sistema prisional do RS

Ao final do primeiro semestre de 2025, cerca de 50 mil pessoas privadas de liberdade estavam cumprindo pena no Rio Grande do Sul. Destas, mais de 15 mil – equivalente a 30% – desenvolveram atividades laborais dentro e fora das unidades prisionais do Estado.

Trabalho dentro das unidades

A maior parte dos apenados trabalhou nas chamadas ligas internas de trabalho, com atuação de 8.404 pessoas em regime fechado. Eles desempenham funções como manutenção predial, jardinagem, limpeza, lavanderia, marcenaria e alimentação. Essas tarefas promovem economia ao sistema prisional ao evitar a contratação de serviços terceirizados.

Trabalho externo e cooperativas

Aqueles em regime semiaberto ou aberto também têm oportunidades laborais: cerca de 1.200 apenados trabalham com carteira assinada em empresas privadas, enquanto aproximadamente 1.921 prestam serviços autônomos, mediante fiscalização da Polícia Penal e uso opcional da tornozeleira eletrônica.

Existe ainda um programa de artesanato remunerado, que envolve 1.137 detentos em atividades que incluem pintura, crochê, manufatura de roupas, desenhos e objetos decorativos. Esses trabalhos são voltados à remição de pena, formação profissional e geração de renda.

Termos de cooperação e remuneração

Atualmente, 2.383 apenados trabalham por meio de termos de cooperação firmados com empresas, instituições e órgãos públicos. Esses acordos têm prazo de até 60 meses e obedecem à Lei de Execução Penal. A remuneração mínima é de 75% do salário mínimo nacional vigente. Nos últimos seis meses, mais de 200 novas adesões ampliaram o programa, refletindo também em melhora na qualidade dos projetos, com a participação de empresas estruturadas que oferecem capacitação aos presos.

Diversificação das atividades produtivas

O sistema prisional gaúcho possui linhas de produção em setores como:

  • Indústria têxtil e calçadista
  • Metalurgia e artefatos para construção civil
  • Reciclagem de resíduos eletrônicos
  • Produtos alimentícios, pet e embalagens

Além disso, cerca de 70 municípios mantêm convênios ativos com prefeituras e órgãos públicos para prestação de serviços urbanos como limpeza, reparos e manutenção.

Impacto social e institucional

A Polícia Penal destaca que o trabalho prisional é um dos pilares da ressocialização e atua como instrumento de segurança pública. “Uma das missões constitucionais da Polícia Penal é garantir o retorno das pessoas privadas de liberdade ao convívio social… investimos muito no trabalho prisional por ser um dos pilares… que impacta diretamente, também, a segurança pública”, afirma o superintendente Sergio Dalcol.

Para a direção do Departamento de Tratamento Penal, liderado por Rita Leonardi, os avanços não se limitam ao crescimento do número de participantes, mas também à qualificação das oportunidades, com empresas comprometidas em treinar os apenados para inserção futura no mercado de trabalho.

Ressocialização e remição

O trabalho cumpre múltiplos objetivos: remição de pena, formação profissional, ocupação produtiva do tempo e potencial redução da reincidência. Cada três dias trabalhados podem resultar em um dia a menos de pena, conforme previsto na legislação penal.

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