O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS) deflagrou, nesta sexta-feira (29), a Operação Bom Negócio, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre uma facção criminosa que atuava na lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e também realizava falsos sorteios de veículos na região de São Gabriel.
A ação mobilizou cerca de 100 agentes e ocorreu em São Gabriel, Cruz Alta, Ijuí e Lagoa Vermelha, com apoio da Brigada Militar (BM) e da Polícia Penal.
Cumprimento de mandados
Sob a coordenação dos promotores de Justiça João Afonso Beltrame e Rogério Meirelles Caldas, do 9º Núcleo Regional do GAECO – Campanha, a operação contou ainda com a participação dos promotores André Dal Molin, coordenador estadual do GAECO, Diego Pessi e Manoel Figueiredo Antunes.
Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e sete medidas cautelares, incluindo quebra de dados telemáticos, de sigilos bancário e fiscal, além de indisponibilidade e bloqueio de bens e ativos financeiros que ultrapassam R$ 5,5 milhões. As buscas foram realizadas em residências, revendas de veículos e também no presídio de São Gabriel.
Segundo Beltrame, 44 veículos foram identificados como ligados ao esquema, dos quais 24 já foram apreendidos judicialmente.
A prática de diversos crimes ocorria, sobretudo, para o fortalecimento da organização criminosa e do seu domínio no tráfico de drogas na região de São Gabriel – destacou o promotor.
O promotor Caldas reforçou a importância da ofensiva:
– O GAECO mais uma vez se aprofunda no ataque às organizações criminosas, combatendo fortemente os crimes vinculados, como a lavagem de dinheiro. Desarticular e descapitalizar estes grupos é devolver a paz e a tranquilidade à comunidade, além de coibir criminosos de enganar a população e de competir ilicitamente no comércio local.
Estrutura criminosa
As investigações tiveram início a partir de informações do 2º Regimento de Polícia Montada da BM, que indicavam movimentações financeiras suspeitas ligadas ao tráfico e à lavagem de capitais.
Conforme a apuração, o grupo criminoso era estruturado, com divisão de tarefas, empresas de fachada e contas bancárias em nome de laranjas para ocultar a origem dos recursos ilícitos.
Os investigados utilizavam revendas de automóveis de luxo e sistemas de sorteios falsos como mecanismos de dissimulação de valores. A organização era formada por núcleos familiar e empresarial, com atuação coordenada inclusive de dentro do sistema prisional.
Ao todo, sete pessoas são investigadas:
• um traficante preso, com 37 anos de condenação, apontado como líder da facção;
• a mãe e dois filhos dele;
• empresários do ramo de veículos, alguns residentes no Norte e Noroeste do Estado.
Os crimes investigados são: tráfico de drogas, lavagem de capitais, estelionato, organização criminosa e crime contra a economia popular.
Sorteios fraudulentos
Um dos golpes aplicados pela facção envolvia sorteios de veículos pela internet, com bilhetes pagos via PIX. Após o sorteio, um suposto vencedor divulgava vídeos nas redes sociais, mas os automóveis não eram transferidos e continuavam circulando entre revendas ligadas aos organizadores.
Segundo o Ministério Público, a prática utilizava plataformas digitais de forma irregular, em desacordo com a legislação que regula promoções comerciais.