Placa histórica da primeira ponte sobre o Ibicuí-Mirim é resgatada em Dilermando de Aguiar

Os estragos causados pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos anos, embora devastadores, têm proporcionado reencontros surpreendentes com a história em alguns municípios. Um exemplo disso ocorreu nesta semana em Dilermando de Aguiar, onde foi resgatada a placa de inauguração da primeira ponte sobre o Rio Ibicuí-Mirim, que fazia a ligação entre os atuais municípios de Dilermando e São Pedro do Sul — na época, respectivamente, 2º e 3º distritos de Santa Maria.

A estrutura centenária foi retirada da barranca do rio a partir de um pedido de Thiago Weigert, servidor efetivo da Prefeitura de Dilermando e pesquisador da história local. Segundo ele, a placa estava sob observação há quase dez anos, mas encontrava-se em uma área de difícil acesso, próxima à atual ponte de concreto e à margem do rio. O início das obras para retirada da ponte danificada e a presença de uma escavadeira hidráulica no local permitiram que a operação fosse realizada com segurança.

Com o apoio do operador da máquina, do engenheiro Anderson Carvalho e da equipe da Secretaria de Obras, a retirada foi concluída com êxito e sem qualquer dano à estrutura histórica. Mesmo desgastada pela ação do tempo, ainda é possível identificar na parte superior da placa as inscrições “Ponte do Ibicuí” e “20 9 do mesmo ano”, sugerindo uma inauguração em um 20 de setembro. Já na parte inferior, o texto traz: “Na Administração Municipal do Intendente Cel. Henrique P. Scherer. Constructor José Barreiro Perez.”

Com base no período em que o Coronel Henrique Pedro Scherer esteve à frente da Intendência de Santa Maria — entre 15 de novembro de 1900 e 26 de janeiro de 1904 —, estima-se que a ponte tenha sido inaugurada em 20 de setembro de 1901, 1902 ou 1903.

De acordo com Weigert, a estrutura que recebeu a placa era rudimentar e provavelmente ficava em um nível baixo em relação ao leito do rio, o que a tornava vulnerável a enchentes. A localização em que a placa foi encontrada indica que ela permaneceu próxima ao ponto original da antiga ponte. Somente em 1930 foi construída uma superestrutura de madeira, com vão de 47 metros, elevando o nível da travessia.

A recuperação da placa representa mais do que a preservação de um artefato: é um resgate simbólico da memória regional. A ponte, à época de sua inauguração, representava um avanço significativo para a mobilidade entre os distritos e impulsionou o desenvolvimento da região.

  • A estrutura recuperada só não é mais antiga que a Estação Férrea de Dilermando de Aguiar, concluída em 1888. Imagine o leitor quanto progresso aquela pequena ponte trouxe para Dilermando (que ainda nem tinha esse nome), para São Pedro do Sul (então Rincão de São Pedro) e para Santa Maria, que era o município mãe dos dois distritos – destaca Weigert.
  • Que resgates como estes sigam acontecendo e mantendo viva a história dos lugares onde vivemos – finaliza Weigert.

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