A Polícia Civil, por meio do Departamento Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), divulgou uma cartilha educativa com informações detalhadas sobre os golpes mais comuns praticados atualmente, especialmente aqueles que utilizam telefone, aplicativos de mensagens, redes sociais, sites falsos e sistemas de pagamento instantâneo. O objetivo do material é orientar a população sobre como esses crimes acontecem e quais medidas simples podem evitar prejuízos financeiros e transtornos emocionais.
Um dos crimes destacados é o golpe do falso sequestro. Nessa modalidade, o criminoso liga para a vítima simulando gritos e choro ao fundo, afirmando que um familiar foi sequestrado. Durante a conversa, induz a própria vítima a dizer o nome do suposto parente sequestrado, passando a usar essa informação para dar credibilidade à ameaça. Em seguida, pressiona para que um pagamento imediato seja feito por transferência ou PIX. A orientação é manter a calma, tentar contato direto com o familiar ou outra pessoa próxima e nunca realizar pagamentos sob pressão ou pânico.
Outro golpe frequente é o do parente que quebrou o carro ou está em apuros. O golpista liga ou envia mensagem dizendo frases genéricas como “sabe quem está falando?”, levando a vítima a citar um nome. A partir disso, inventa uma emergência e pede dinheiro com urgência. A recomendação é nunca adivinhar quem está falando, pedir identificação clara e confirmar a história ligando diretamente para o parente no número já salvo.
A cartilha também alerta para o golpe do bilhete premiado, no qual criminosos abordam a vítima oferecendo um suposto bilhete de loteria premiado em troca de dinheiro. Normalmente, um comparsa confirma a falsa história para convencer a vítima. A Polícia Civil orienta a nunca comprar bilhetes ou prêmios de terceiros e a desconfiar de qualquer promessa de lucro rápido.
No golpe do intermediador de vendas, comum em negociações pela internet, o criminoso se apresenta como representante do comprador e do vendedor. Ele recebe o pagamento do comprador e convence o vendedor a entregar o produto. A orientação é negociar diretamente com a outra parte e desconfiar quando alguém tenta impedir o contato entre comprador e vendedor.
Outro crime recorrente é o golpe do depósito com envelope vazio, no qual o golpista envia um comprovante de depósito feito em caixa eletrônico, mas o envelope está vazio. A vítima acredita que o valor será creditado e entrega o produto antes da confirmação. A recomendação é só entregar bens após o dinheiro constar como disponível no extrato bancário.
A cartilha também detalha o golpe do falso site de compras, em que criminosos criam páginas muito semelhantes a lojas conhecidas ou a sites de órgãos públicos. A vítima realiza o pagamento e não recebe o produto ou é induzida a pagar taxas inexistentes. A orientação é verificar cuidadosamente o endereço do site, desconfiar de preços muito baixos e efetuar pagamentos apenas por canais oficiais.
Outro golpe amplamente difundido é a clonagem do WhatsApp, quando o criminoso obtém o código de verificação enviado por SMS e passa a usar a conta da vítima para pedir dinheiro aos contatos. A recomendação é nunca compartilhar códigos e manter a verificação em duas etapas ativada.
Há ainda o golpe da falsa central telefônica, em que o criminoso se passa por funcionário do banco, informa compras suspeitas e tenta obter dados sensíveis ou recolher o cartão da vítima. A Polícia Civil orienta desligar a ligação e entrar em contato diretamente com o banco por um número oficial, lembrando que instituições financeiras não pedem senha nem recolhem cartões.
No golpe do boleto falso, boletos adulterados são enviados por e-mail ou aplicativos de mensagens, direcionando o pagamento para contas de criminosos. Já no golpe do falso empréstimo, anúncios prometem crédito fácil, mas exigem pagamento antecipado de taxas, e o empréstimo nunca é liberado.
Entre os golpes envolvendo PIX, a cartilha destaca o comprovante falso, quando o criminoso envia um comprovante editado ou de PIX agendado, e o golpe do PIX errado, em que o golpista pede a devolução para outra chave. A orientação é sempre utilizar a função “Devolver PIX” do próprio aplicativo bancário.
O material também aborda golpes mais recentes, como o robô do PIX, a clonagem de voz por inteligência artificial, o QR Code falso, o phishing 2.0 e as deepfakes, que utilizam tecnologias avançadas para enganar vítimas com mensagens, áudios e vídeos extremamente realistas.
A Polícia Civil reforça que a principal forma de prevenção é a informação e a cautela. Em caso de golpe ou tentativa de fraude, a vítima deve registrar ocorrência em qualquer delegacia da Polícia Civil ou por meio da Delegacia Online, disponível no site delegaciaonline.rs.gov.br, garantindo o início da investigação e a apuração dos fatos.