A Polícia Civil desencadeou, no fim da tarde deste domingo (16), a Operação Cartão Vermelho, que mira suspeitas de manipulação de resultados envolvendo um clube que disputa o Campeonato Gaúcho da Terceira Divisão e a Copa Federação Gaúcha de Futebol. A ação ocorreu em São Gabriel, sob coordenação da Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro de Organizações Criminosas (DRLD-OC), ligada à DRACO/DEIC.
A operação mobilizou oito viaturas, 17 agentes e dois delegados, além do apoio da 9ª Região Policial, da DP de São Gabriel e do Gabinete de Inteligência da Polícia Civil.
Mandados e medidas judiciais
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e outras três medidas cautelares contra dirigentes, atletas e membros da comissão técnica. As ações ocorreram no Estádio Municipal Doutor Silvio de Faria Corrêa e em residências de investigados.
Segundo a Polícia Civil, as medidas visam impedir que possíveis fraudes sigam acontecendo e garantir a regularidade das competições.
Denúncias e jogo suspeito
As investigações começaram após denúncias recebidas por setores de inteligência e por um comunicado enviado pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF). O caso que chamou atenção dos policiais foi uma partida disputada contra o Internacional sub-20, em Alvorada. Informações prévias apontavam que o segundo tempo teria um número anormal de gol e a denúncia se confirmou: após um primeiro tempo equilibrado, a equipe investigada sofreu uma goleada de 7 a 0.
Além disso, outro confronto, contra o Juventude, também levantou suspeitas. O clube teria usado três jogadores inativos no BID da CBF, substituindo suas identidades por atletas ativos, prática que configura fraude esportiva e crimes contra a fé pública.
Investigação mira possível esquema organizado
Para a Polícia Civil, há indícios de que o clube esteja sendo utilizado para facilitar uma organização criminosa voltada ao lucro por meio da manipulação de jogos. Há ainda suspeita de que alguns envolvidos já teriam sido monitorados por órgãos de integridade esportiva, como Sportradar e UIFB/CBF, por ocorrências semelhantes em outros Estados do país.
O delegado Max Otto Ritter destacou que manipulações desse tipo “abalariam a credibilidade das competições, abrindo espaço para atuação de grupos criminosos e prejudicando atletas, clubes e torcedores”.
Apreensões e próximos passos
Durante as buscas, foram recolhidos documentos, celulares e computadores que podem ajudar a confirmar a participação dos envolvidos. Agora, a Polícia Civil dará sequência à análise dos materiais apreendidos e aos interrogatórios dos investigados.
A Operação Cartão Vermelho segue em andamento, e novos desdobramentos não estão descartados.