Polícia Civil realiza operação em Restinga Sêca em desdobramento da investigação sobre morte de vereadora de Formigueiro

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (8), uma operação em Restinga Sêca como parte das investigações sobre a morte da vereadora de Formigueiro, Elisane Rodrigues dos Santos, de 49 anos. A ação foi coordenada pelo delegado Antonio Firmino de Freitas Neto e teve apoio das Delegacias de Polícia de Restinga Sêca, Formigueiro, da 4ª DP de Santa Maria e da DRACO (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas).

Ao todo, 14 agentes participaram da operação, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão — três em residências na Vila Felin e um em um estabelecimento comercial às margens da ERS-149. Durante as buscas, foram apreendidos materiais que podem estar ligados ao assassinato da vereadora, e pessoas foram conduzidas à delegacia para prestarem depoimentos.

Relembre o caso: como a vereadora foi morta

A vereadora Elisane Rodrigues dos Santos, técnica de enfermagem e eleita pelo PT em seu primeiro mandato, era uma liderança atuante na defesa das mulheres e das comunidades quilombolas. Ela foi homenageada em março com o Prêmio Mulheres de Luta, da Assembleia Legislativa do RS.

Na noite de 16 de junho, Elisane participou de uma sessão na Câmara de Vereadores de Formigueiro e, após o encontro, saiu para comprar carne bovina, supostamente oferecida a preço de ocasião por um conhecido. A vereadora foi atraída para uma emboscada e assassinada com pelo menos dez facadas, em uma estrada rural na localidade de Rincão dos Machados, zona rural do município.

O corpo foi encontrado na manhã seguinte, ao lado do carro da vítima. O local e a brutalidade do crime chocaram a comunidade e mobilizaram as forças de segurança.

Prisão do autor e motivação do crime

A investigação avançou rapidamente, e no dia 20 de junho, a Polícia Civil prendeu um jovem de 18 anos, que confessou ter matado a vereadora. Ele afirmou que o crime foi cometido a mando de uma facção criminosa, como represália a uma dívida de tráfico de drogas atribuída ao filho de Elisane.

Segundo o depoimento, o assassinato foi planejado para provocar sofrimento emocional, com a execução da mãe como forma de retaliação. O autor confessou que usou uma faca, que depois teria sido jogada em um açude. A motocicleta usada no crime e o celular da vítima foram apreendidos e encaminhados para perícia.

O jovem, que já possuía antecedentes criminais, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e está recolhido no Presídio Estadual de São Sepé. A Polícia Civil agora busca identificar o mandante do crime.

Investigações continuam

As buscas desta terça-feira fazem parte da ampliação da investigação, com o objetivo de reunir provas e aprofundar a apuração sobre a participação de outros envolvidos, incluindo os possíveis mandantes ligados ao crime organizado.

O caso segue sendo tratado como prioridade pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, diante da gravidade da execução e do contexto de violência política associado ao crime.

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