Uma recém-nascida caiu no chão durante o parto, bateu a cabeça na estrutura da cama e no piso de um quarto do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), em Santa Maria, e precisou ser internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer traumatismo craniano e hemorragia interna. O caso aconteceu por volta das 20h do dia 18 de abril e é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), após registro realizado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). O Portal Rafael Menezes teve acesso com exclusividade ao caso.
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Conforme o boletim de ocorrência, a gestante, de 29 anos, moradora de Restinga Sêca, foi encaminhada ao Husm para a realização do parto. Já no hospital, ela relatava fortes dores e afirmava repetidamente que o bebê estava prestes a nascer. Segundo o relato do companheiro, um jovem de 23 anos, à Polícia Civil, profissionais teriam informado que “ainda não era a hora”, fazendo com que a mulher aguardasse atendimento por cerca de uma hora.
Ainda conforme os documentos, posteriormente uma enfermeira teria levado a paciente até um quarto e orientado que ela subisse na cama hospitalar. A gestante, no entanto, teria afirmado que não conseguiria porque a criança já estava nascendo. O pai relatou que, no momento em que a mulher tentava subir na cama, o bebê acabou saindo. Ele tentou segurá-lo, porém a recém-nascida escorregou das mãos e caiu no chão.
O registro policial aponta que a bebê bateu a cabeça na cama e também no piso do quarto hospitalar. Logo após a queda, o pai teria recolhido a criança do chão e pedido ajuda à equipe médica, que realizou o encaminhamento para atendimento de emergência.
De acordo com os documentos anexados à investigação, a recém-nascida sofreu múltiplas lesões graves e precisou permanecer internada em UTI. Os prontuários e laudos médicos apontam que a criança passou por exames de imagem, incluindo tomografias de crânio, tórax e abdômen, diante da gravidade das lesões sofridas após a queda.
Após dias internada em estado grave, a bebê recebeu alta hospitalar na última semana e segue em recuperação junto da família.
A petição apresentada pelo advogado Matheus Quartieri, que representa a família, sustenta que existem indícios relevantes de possível negligência na condução do procedimento obstétrico por parte da equipe responsável pelo atendimento. O documento pede ainda a preservação das imagens das câmeras de segurança do hospital, a oitiva de testemunhas e o acesso integral aos prontuários médicos da mãe e da recém-nascida.
Em entrevista, o advogado Matheus Quartieri afirmou que a família segue profundamente abalada com o ocorrido.
– Esse caso ocorreu no Husm, no Hospital Universitário aqui de Santa Maria, em razão de um atendimento com uma negligência bastante evidente, um parto em que a nenê acabou caindo ao solo em razão de falhas no protocolo de atendimento.
O advogado destacou ainda que a família vive um momento de sofrimento e incertezas sobre o futuro da criança.
– A família está bastante abalada com toda a situação ainda. Muito embora a bebê já tenha recebido alta, não se tem ainda a dimensão das consequências e das sequelas que serão evidenciadas no desenvolvimento dela. É o primeiro filho do casal. O nascimento de um filho é sempre um momento de celebração e, para essa família, evidentemente, foi um pesadelo.
Segundo Quartieri, a Polícia Civil já realiza diligências para esclarecer o caso.
– A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) está apurando o fato, ouvindo testemunhas, produzindo elementos de informação e analisando câmeras de monitoramento para produzir todas essas provas e chegar a uma conclusão do que aconteceu.
A defesa afirma ainda que espera responsabilização dos envolvidos caso a negligência seja confirmada.
– Diante de todo o abalo emocional da família e das consequências desse fato, evidentemente que nós desejamos que as pessoas envolvidas nesse caso sejam responsabilizadas e que o ente público da mesma forma se responsabilize pelos danos causados a essa família.
Segundo a defesa, o pai presenciou toda a situação e outras pessoas que estavam próximas ao local também poderão ser ouvidas no decorrer das investigações.
O Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) se manifestou por meio de nota:
“O Hospital Universitário de Santa Maria informa que, tão logo tomou conhecimento do caso, instaurou processo interno para apuração dos fatos, com análise técnica e administrativa das circunstâncias relacionadas ao atendimento prestado.
A instituição ressalta que acompanha o caso com a máxima seriedade e responsabilidade, observando rigorosamente os protocolos assistenciais, éticos e legais aplicáveis, bem como o dever de sigilo e proteção das informações da paciente e de seus familiares, conforme prevê a legislação vigente.
O HUSM permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com as investigações em andamento.”
A Polícia Civil, por meio da delegada de polícia Luiza Sousa Santos, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), informou por mensagem que o inquérito “está tramitando”, mas ainda sem previsão de conclusão.
O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Santa Maria, que apura as circunstâncias do atendimento prestado e eventuais responsabilidades dos profissionais envolvidos.