O que inicialmente estava previsto para ser uma paralisação geral dos policiais civis em todo o Rio Grande do Sul acabou se transformando, nesta terça-feira (11), em um dia de mobilização e operação padrão, também chamada de operação legalidade. A decisão foi tomada após o governo do Estado, por meio da chefe de Polícia, ameaçar com o corte de ponto os servidores que participassem da paralisação, conforme denunciou o secretário-geral do sindicato da categoria, Pablo Mesquita, em vídeo enviado ao portal Rafael Menezes.
De acordo com Mesquita, a medida é considerada arbitrária e um atentado contra a liberdade sindical, além de expor a postura autoritária do governo estadual.
— Isso é absurdo, é um atentado contra a liberdade sindical, mas também desmascara o governo, que se vende como de diálogo democrático, mas nunca recebeu pessoalmente as entidades da segurança pública. Sempre impôs suas decisões, sem diálogo — declarou o dirigente da UGEIRM.
O sindicalista criticou a falta de estrutura nas delegacias e a defasagem salarial dos policiais civis, fatores que, segundo ele, têm levado a uma crescente evasão de profissionais da corporação.
— As delegacias estão caindo aos pedaços, os salários estão muito defasados e isso tem causado uma enxurrada de exonerações. Só neste ano, já foram mais de 45 pedidos, e nos últimos dois anos o número se aproxima de 200 — destacou Mesquita.
Ele ainda ressaltou que, apesar das dificuldades enfrentadas pela categoria, os números da segurança pública seguem positivos graças ao comprometimento dos servidores.
— A população pode contar com os policiais civis. Mesmo diante da falta de estrutura, seguimos trabalhando, porque temos consciência social da importância do nosso papel. Mas as mobilizações vão continuar e podem se intensificar — afirmou.
A operação padrão consiste na execução rigorosa e detalhada de todos os procedimentos legais, o que costuma retardar o andamento das atividades e tem como objetivo chamar atenção para as reivindicações da categoria, que incluem melhores condições de trabalho, recomposição salarial e respeito ao direito de manifestação.
Em Santa Maria, os policiais civis também aderiram à mobilização. Em frente as delegacias, os agentes realizaram um ato simbólico com esparadrapos e fitas adesivas na boca, representando o silenciamento imposto pelo governo e a resistência da categoria diante das tentativas de repressão. O gesto marcou o compromisso dos servidores com a luta por valorização e respeito, mesmo em meio às ameaças e à falta de diálogo com o Estado.



