Na tarde de segunda-feira (20), o delegado regional Sandro Meinerz apresentou, em coletiva de imprensa, a conclusão do inquérito que resultou na Operação Quarta Colônia Livre, deflagrada em agosto deste ano. A investigação, iniciada em fevereiro de 2025, desarticulou uma organização criminosa envolvida com o tráfico de drogas na região da Quarta Colônia, abrangendo os municípios de Faxinal do Soturno, Agudo, Restinga Sêca, Dona Francisca, São João do Polêsine e Santa Maria.
Durante a coletiva, o delegado destacou que o trabalho foi resultado de uma ampla apuração conduzida pela Delegacia Regional de Polícia de Santa Maria, com apoio da delegada Jaqueline Pellegrini, titular da Delegacia de Agudo. O inquérito concluiu com o indiciamento de 62 pessoas por diversos crimes, principalmente organização criminosa e tráfico de drogas, além de corrupção de menores e associação para o tráfico.
Dois adolescentes também foram responsabilizados e cumprem atualmente medidas socioeducativas em regime de semiliberdade.
Segundo Meinerz, o grupo atuava de forma estruturada e hierarquizada, com divisões de funções entre armazenadores, distribuidores e vendedores. As lideranças principais, segundo ele, estavam dentro do sistema prisional, especialmente na Penitenciária Estadual de Jacuí, e contavam com o apoio direto de suas companheiras, responsáveis pela parte financeira das operações.
- Cada cidade tinha uma liderança no tráfico, conectadas a uma facção de Porto Alegre com ramificações em Santa Maria. O grupo mantinha uma rede organizada de distribuição que levava drogas da capital até os municípios da Quarta Colônia” – explicou o delegado.
Vazamento de informações e envolvimento de servidor municipal
O ponto mais sensível da coletiva foi a revelação de que houve vazamento de informações sigilosas sobre a operação antes de sua deflagração. Conforme relatou o delegado Meinerz, parte dos alvos teve acesso antecipado aos detalhes da ação policial — o que explicaria a pequena quantidade de drogas e armas apreendidas em comparação ao número de prisões efetuadas.
- Quando aprofundamos a investigação, descobrimos que efetivamente houve um vazamento. Algumas pessoas sabiam que seriam alvo da ação do dia 21 de agosto – declarou Meinerz.
As investigações apontam que um servidor da Prefeitura de Faxinal do Soturno, que também atuava como advogado do principal líder da facção, teria repassado informações sigilosas sobre a operação. Segundo o delegado, o Ministério Público entrou em contato com a prefeitura para tratar de questões formais, e o servidor, mesmo tendo sido alertado sobre o sigilo, comunicou o chefe do grupo criminoso.
- Aproveitando-se da função pública que exercia, ele avisou a liderança do tráfico. O indivíduo chegou a cogitar fugir da cidade e tentou esconder o carro. Apesar disso, conseguimos prendê-lo porque tínhamos um trabalho de inteligência muito robusto – disse Meinerz.
O servidor foi indiciado por obstrução à Justiça, crime previsto na Lei das Organizações Criminosas, com pena de 3 a 8 anos de prisão, além de posse ilegal de arma de fogo, já que uma arma pertencente a uma cliente foi apreendida em sua residência.
Meinerz ressaltou, entretanto, que a Prefeitura Municipal não tem envolvimento com o caso, tratando-se de um ato isolado do funcionário.
- Quero deixar claro que a prefeitura não tem absolutamente nada a ver com isso. É uma questão individual do profissional, que coincidentemente advogava para pessoas vinculadas à investigação – destacou o delegado.
Conclusão do inquérito e próximos passos
Com o encerramento do inquérito, o relatório completo foi encaminhado ao Ministério Público, que deve agora oferecer as denúncias formais à Justiça. O delegado enfatizou que o trabalho foi essencial para conter o avanço da facção criminosa na Quarta Colônia, região que vinha registrando aumento nos índices de tráfico de drogas e crimes associados.
- A operação Quarta Colônia Livre teve o objetivo de frear a expansão de uma facção criminosa que se consolidava na região. Foi uma resposta firme e necessária à criminalidade organizada – concluiu Meinerz.