A UGEIRM Sindicato, que representa os policiais civis do Rio Grande do Sul, deliberou, na manhã de quinta-feira (30), por uma paralisação estadual no dia 11 de novembro. A mobilização tem como objetivo pressionar o governo estadual pela inclusão da revisão geral salarial no orçamento de 2026, além de reivindicar a restauração da simetria com outras corporações da segurança pública, melhorias nas condições de trabalho e paridade nas aposentadorias.
A decisão foi tomada em reunião da categoria e deve ocorrer em conjunto com outras áreas do funcionalismo estadual, como os professores da rede pública, que também reivindicam reposição salarial. O percentual solicitado pelos policiais civis é de 15,2%.
Entre as pautas da mobilização estão a retomada da simetria salarial com os capitães da Brigada Militar, a publicação das promoções pendentes, a melhoria das condições de trabalho nas unidades policiais e a restauração da paridade e integralidade nas aposentadorias, por meio da aprovação da emenda da COBRAPOL à PEC da Segurança Pública.
Segundo a diretora da UGEIRM, Neiva Carla Back, “por trás dos bons resultados no combate à violência existe uma polícia sucateada: prédios deteriorados, risco de desabamento, servidores exaustos e adoecidos pela sobrecarga de trabalho, além de uma defasagem salarial histórica, que vem provocando um aumento alarmante nas exonerações”.
O diretor da UGEIRM, Cláudio Wohlfahrt, também se manifestou sobre o tema nas redes sociais. Em vídeo, ele criticou a postura do governo estadual e convocou os colegas para a paralisação.
— E o Eduardo Leite, o nosso príncipe autoritário, não recebe o sindicato. O seu chefe da Casa Civil não recebe o sindicato. Ele não quer nos dar a revisão inflacionária desse ano. Ele não previu na lei orçamentária do ano que vem revisão salarial para o nosso salário. E agora apresentou um aumento de R$ 0,89 por dia no nosso vale-refeição. Não tem outro caminho, meus colegas. A polícia vai precisar de novo mostrar a sua força. Dia 11, semana que vem, nós vamos fazer uma grande paralisação para mostrar para o governador e para a sociedade que aqueles que doam todo o seu suor, que garantem a redução dos índices de criminalidade no Estado, precisam ser valorizados. Vamos juntos, todos, no dia 11. Vamos conversar com os colegas, chamar os colegas para estar na frente das delegacias em Porto Alegre. Vamos estar na frente do palco da polícia, mostrando nossa força — afirmou Wohlfahrt.
A entidade também criticou o governo estadual por não abrir diálogo com a categoria e afirmou que foi impedida de participar de reunião sobre temas de interesse dos policiais civis.
Durante o dia de paralisação, a orientação é que os policiais civis suspendam suas atividades e realizem atos públicos em frente às delegacias, com o objetivo de dialogar com a sociedade sobre os motivos da mobilização.
Além da paralisação do dia 11 de novembro, a UGEIRM prevê novas ações de mobilização ainda neste ano, incluindo uma carreata em Porto Alegre, no dia 29, e a realização da “Marcha da Polícia Civil”, com data a ser confirmada.
O movimento ocorre em um contexto de pressão crescente por parte do funcionalismo público gaúcho, que alega perdas salariais acumuladas e falta de investimentos em infraestrutura e valorização profissional. A paralisação da Polícia Civil deve gerar impacto nas atividades das delegacias e aumentar a pressão sobre o governo para a retomada do diálogo com a categoria.