Uma família de São Pedro do Sul vive um drama que começou em 2023, quando o quadro de saúde de Cleunice da Silva Azeredo, de 52 anos, se agravou após uma sequência de convulsões. Desde então, Cleunice ficou acamada e totalmente dependente dos cuidados do marido, João Pedro dos Santos Azeredo, de 57 anos, que obteve na Justiça o direito de representá-la por meio de curatela provisória.
João Pedro relata que a esposa sofreu dez convulsões e entrou em estado de “mal convulsivo”, sendo levada ao Hospital Regional de Santa Maria. – Ela precisou de atendimento de um neurologista e não teve. Fiz até ocorrência policial porque o hospital daqui não deu o suporte que ela precisava – contou.
Cleunice foi transferida para a UTI do Hospital Regional, onde permaneceu dois dias. – A médica pediu minha concordância para tirá-la da UTI, mas eu disse que a decisão era dela, que só aceitava se garantisse vaga novamente caso fosse necessário. Ela me assegurou que sim – relatou João Pedro. Após sair da UTI, Cleunice teve uma parada cardíaca e precisou ser reanimada.
Sem condições de cirurgia naquele momento, ela recebeu alta e voltou para casa, permanecendo em estado de convulsão constante. Por meses, foi cuidada pela família, que se revezava entre São Pedro do Sul e Toropi. Em setembro de 2023, pouco antes de uma nova consulta no Regional, perdeu completamente a visão — consequência, segundo os médicos, de uma queda acentuada na glicose e no sódio.
Desde então, Cleunice ficou totalmente dependente. Usa fraldas, toma de seis a sete medicamentos diários e precisa de uma pessoa ao lado 24 horas por dia. Além disso, sofre com uma lesão severa na coluna cervical, que pressiona três vértebras sobre a medula e pode causar paralisia ou até óbito por falta de oxigenação cerebral.
Segundo João Pedro, o custo da cirurgia necessária para corrigir o problema era de R$ 75 mil em 2023, mas pode ter aumentado com o avanço da lesão. – Essa cirurgia não tem cobertura pelo SUS. Entramos com um pedido na Defensoria Pública para tentar pelo menos o fornecimento dos remédios, porque muitos são caros e difíceis de conseguir, mas não tivemos retorno positivo até agora – explica.
Atualmente, a família sobrevive com pouco mais de R$ 3 mil por mês, sendo um salário mínimo do auxílio-doença de Cleunice e R$ 2.127 que João Pedro recebe por acidente de trabalho. Desse valor, R$ 1 mil são destinados ao aluguel, restando o mínimo para alimentação, contas e remédios.
Grande parte das medicações usadas por Cleunice vem de amostras grátis fornecidas pelo médico particular que assumiu o caso e conseguiu estabilizar parcialmente o quadro após mudar o tratamento. – Se não fosse por essas amostras, o gasto mensal passaria de R$ 4 mil – afirma João Pedro.
Mesmo com o quadro delicado, o transporte até Santa Maria precisa ser feito com o carro da família, já que Cleunice não tem condições de utilizar o transporte coletivo oferecido pelo município. – Ela não consegue subir na van, precisa de cadeira de rodas e acompanhamento o tempo todo. Tudo é por nossa conta – diz.
João Pedro acredita que falhas no atendimento inicial foram determinantes para o estado atual da esposa. – Se lá no começo tivessem feito os exames necessários e encaminhado para um especialista, ela não estaria assim. A saúde pública falhou e nossa vida desmoronou. Perdemos o comércio, a renda e vivemos com gastos que só aumentam – lamenta.
A principal necessidade da família hoje é financeira. – A gente se aperta como pode. Uma pessoa nos emprestou R$ 15 mil, de coração, dizendo que sabia o que é lidar com a doença, mas o valor precisa ser pago até o final do ano – conta João Pedro.
Com dificuldades crescentes e os custos do tratamento aumentando, João Pedro não descarta se desfazer do carro da família, que hoje é utilizado para transportar Cleunice nas consultas em Santa Maria, para quitar a dívida e conseguir manter o tratamento.
Recentemente, a Justiça reconheceu oficialmente a incapacidade de Cleunice e concedeu a curatela provisória ao marido, João Pedro dos Santos Azeredo. A decisão judicial destaca que Cleunice apresenta sequelas neurológicas graves, mobilidade reduzida, uso contínuo de fraldas e dependência total para os atos da vida civil, confirmando que o marido é o responsável por todos os seus cuidados e pela administração dos benefícios e tratamentos.
João Pedro encerra o relato pedindo ajuda da comunidade e das autoridades:
– A Cleunice precisa dessa cirurgia para ter chance de vida digna. A gente não quer luxo, só quer que ela tenha o mínimo de conforto e que essa dor acabe um pouco.
Quem desejar ajudar a família pode contribuir com qualquer valor via Pix (CPF 583.624.600-91, Banco Sicredi).