Mulher ficou presa oito dias em Santa Maria mesmo após ter liberdade concedida pela Justiça

Uma mulher de 43 anos, moradora de Júlio de Castilhos, permaneceu oito dias presa indevidamente no Presídio Regional de Santa Maria, mesmo após a Justiça ter determinado sua liberdade provisória. O caso ocorreu devido a um erro da Polícia Penal, que não cumpriu imediatamente a decisão judicial.

A prisão aconteceu no dia 23 de setembro, quando a mulher foi flagrada pela Brigada Militar recebendo pelos Correios um pacote contendo maconha. Os policiais já monitoravam a residência e realizaram a abordagem no momento da entrega. Ela foi conduzida à Delegacia de Polícia e, posteriormente, encaminhada à ala feminina do Presídio Regional de Santa Maria.

Ao saber da prisão da mãe, o filho dela, de 20 anos e com antecedentes por tráfico de drogas, que estava em Santa Maria, gravou um vídeo confessando que a droga era dele. O material foi encaminhado ao advogado da família, que anexou o vídeo ao processo e solicitou a soltura da mulher. Mesmo com a confissão, ela continuou detida.

Na última sexta-feira (10), o jovem foi preso em flagrante em Santa Maria, em nova ocorrência de tráfico de drogas.

No dia 25 de setembro, dois dias após a prisão, o Poder Judiciário determinou a liberdade provisória da mulher, com a imposição de monitoramento eletrônico, levando em conta que ela é mãe de um bebê de um ano, que ainda mamava no peito.

No entanto, por um erro administrativo do Presídio Regional de Santa Maria, a ordem de soltura não foi executada. A mulher só deixou a prisão em 2 de outubro, oito dias depois da decisão judicial.

Durante o período em que permaneceu presa indevidamente, ela ficou sem contato com o filho, que teve de ser alimentado com fórmula infantil pelo pai.

O advogado Gustavo Lacateli, que representa a mulher, afirmou que o caso demonstra uma falha grave no sistema prisional e que está avaliando medidas legais contra o Estado.

– A Justiça concedeu a liberdade no dia 25, mas ela só foi solta no dia 2 de outubro. Uma mãe foi mantida atrás das grades por erro da administração prisional, enquanto o filho de um ano ficou privado do convívio e do aleitamento materno –  destacou Lacateli.

 

O documento emitido pelo Presídio Regional de Santa Maria, datado de 6 de outubro de 2025, confirma que houve um erro interno no protocolo de recebimento e processamento da decisão judicial que concedia liberdade à mulher. O texto informa que ela foi incluída no Programa de Monitoramento Eletrônico apenas no dia 2 de outubro, às 20h40min, reconhecendo, portanto, o atraso no cumprimento da ordem judicial.

O presídio ainda afirma que está revisando seus procedimentos e reforçando protocolos para evitar que equívocos semelhantes voltem a ocorrer, adotando medidas de alinhamento e correção mais célere nas futuras decisões.

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