O Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta segunda-feira (1º) a Operação Convergência Nacional RS 01 na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. A ação contou com apoio da Polícia Penal e teve como objetivo impedir a comunicação ilegal de integrantes de facções criminosas dentro da unidade prisional.
>>Clique aqui, siga nossa página no Instagram, e fique por dentro das atualizações em tempo real.
A operação foi desencadeada após um trabalho de inteligência e varredura eletrônica que identificou sinais ativos de aparelhos celulares associados a 16 alvos investigados. Com base nas informações obtidas, foram cumpridas ordens judiciais, incluindo buscas e apreensões em diversas celas, especialmente em áreas consideradas estratégicas e ocupadas por lideranças criminosas.
Segundo as investigações, os dispositivos móveis eram utilizados para coordenar o tráfico de drogas, ordenar execuções, praticar extorsões e movimentar recursos financeiros das organizações criminosas mesmo a partir do interior do presídio.
O trabalho de monitoramento permitiu localizar pontos críticos da unidade e direcionar as ações das equipes. Conforme o MPRS, os celulares ingressam nos estabelecimentos prisionais por diferentes meios, entre eles drones e arremessos realizados do lado externo.
A operação também marcou o lançamento do projeto Frequência Zero, iniciativa estadual do GAECO voltada ao combate da comunicação ilícita dentro do sistema prisional. A estratégia prevê o mapeamento eletrônico de sinais clandestinos, a identificação dos aparelhos e a inutilização definitiva dos dispositivos por meio do bloqueio nacional do IMEI, número único de identificação dos celulares.
O projeto conta ainda com integração entre setores de inteligência, apoio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), atuação operacional e medidas judiciais que autorizam a extração de dados e o acesso a conteúdos armazenados em nuvem para ampliar as investigações.
De acordo com o coordenador estadual do GAECO, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, a iniciativa busca enfraquecer as facções criminosas e impedir que lideranças continuem exercendo influência fora dos presídios.
“Além da nossa meta constante de descapitalizar as facções, o objetivo agora também é estabelecer um ambiente de frequência zero dentro dos presídios, onde nenhuma comunicação ilícita consiga operar, interrompendo o comando remoto exercido por lideranças criminosas e contribuindo diretamente para a redução da criminalidade fora das unidades prisionais”, destacou o promotor.