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Projeto transforma passos de dança em autoestima, acolhimento e superação para mulheres em Santa Maria

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Projeto transforma passos de dança em autoestima, acolhimento e superação para mulheres em Santa Maria
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A música começa, o corpo acompanha o ritmo e, por alguns instantes, as preocupações da rotina ficam em segundo plano. Para as integrantes do projeto Dança Comigo, a dança representa muito mais do que uma atividade física: é um espaço de acolhimento, amizade, expressão e reencontro consigo mesma.

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Criado pelo educador físico, professor e coreógrafo Pablo Silva, de 35 anos, o projeto nasceu a partir de uma antiga paixão pelos palcos. Natural de Santo Ângelo, Pablo já havia desenvolvido trabalhos com dança por meio da companhia Corpo Livre. Ao chegar em Santa Maria e seguir carreira na área fitness, sentiu a necessidade de voltar a criar coreografias e trabalhar novamente com grupos.

“Eu sentia muita saudade de coreografar, de voltar aos palcos, tanto dançando solo quanto com grupos. Em 2023 surgiu uma oportunidade de trabalhar com um grupo de mães atípicas para uma coreografia e, depois disso, não parei mais. Essas mulheres passaram a fazer parte dessa jornada”, conta Pablo.

O projeto reúne atualmente mulheres acima dos 25 anos, muitas delas mães, profissionais e responsáveis pelos cuidados da família. Algumas já tinham experiência com dança, enquanto outras encontraram ali a primeira oportunidade de subir em um palco.

“Tem mulheres que nunca dançaram e fizeram a estreia comigo nesse projeto. O importante é amar a dança e se sentir à vontade para praticar”, destaca o coreógrafo.

Além das aulas e ensaios, o grupo também participa de eventos e competições. No ano passado, em sua primeira participação em um festival realizado em Santiago, conquistou o prêmio de melhor coreografia em uma competição voltada ao público feminino. Agora, as integrantes se preparam para novos desafios, incluindo apresentações no Baila Santa Maria.

Um espaço de pertencimento e saúde emocional

Entre as integrantes está Natielle Lopes, de 35 anos, psicóloga e bailarina, que possui uma relação antiga com a dança. Ela começou aos quatro anos de idade e, depois de um período afastada para se dedicar aos estudos e outros projetos, encontrou no grupo uma forma de retomar essa conexão.

“Cada uma tem sua história, sua trajetória. Algumas estão retomando o contato com a dança, outras estão se descobrindo bailarinas. É muito lindo fazer parte disso”, relata.

Para ela, embora a dança não substitua um acompanhamento profissional, ela pode ter efeitos positivos no bem-estar emocional.

“A dança não é terapia, mas é terapêutica. O corpo fala antes de qualquer coisa. O movimento, as trocas e o coletivo ajudam. Aqui encontramos pertencimento, fortalecimento de identidade e sororidade”, explica.

Superando limites através do movimento

A história de Andreia Aurélio da Silva, de 43 anos, mostra como a dança pode ajudar na retomada da autoestima. Professora de física aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo, ela conta que chegou ao grupo após enfrentar problemas de saúde que mudaram sua rotina.

“Eu fui aposentada porque tive burnout e tenho fibromialgia. Eu não me imaginava mais fazendo exercício, muito menos dança. Fui percebendo meus limites e ultrapassando eles”, relata.

Segundo Andreia, o grupo se tornou um lugar de acolhimento e reconstrução.

“Eu me reencontrei como uma pessoa que gosta de dança. Eu me sinto feliz dançando e completa. Quando tenho momentos de tensão, venho aqui e encontro paz, tranquilidade e companheirismo”, afirma.

Uma nova descoberta aos 36 anos

Para Pâmela Saraiva, de 36 anos, administradora de empresas, a dança chegou de maneira inesperada. Sem nunca ter dançado antes, ela encontrou no projeto uma oportunidade de se permitir viver novas experiências.

“Hoje, aos 36 anos, eu me permito fazer isso. Sou mãe, sou esposa e também tenho direito de ocupar os lugares onde acredito que devo estar”, afirma.

Mãe de dois meninos, sendo um deles dentro do espectro autista, Flávia conta que enfrentou uma fase difícil antes de encontrar na dança uma nova motivação.

“Foi uma fase muito pesada da minha vida. Eu não via mais motivo para fazer coisas diferentes. Quando entrei na academia, comecei a atividade física e conheci a dança, foi uma virada de chave. Hoje são doses diárias de felicidade”, destaca.

Mais do que dança, histórias que se encontram

Para Pablo, o maior resultado do projeto está justamente nas transformações que acontecem fora dos palcos.

“A dança é libertadora. Ela reacende uma chama que às vezes está apagada. Ela traz liberdade para o corpo, para a expressão e permite colocar sentimentos para fora”, afirma.

Com ensaios realizados na Academia Dinâmica Fit, em Santa Maria, o grupo segue construindo novas coreografias e novos sonhos.

Mais do que movimentos sincronizados, o Dança Comigo mostra que nunca existe uma idade certa para recomeçar, descobrir talentos ou reservar um tempo para cuidar de si. Porque, muitas vezes, o primeiro passo para uma transformação começa justamente com um passo de dança.

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Tag: Trânsito

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Rafael Menezes ∴

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Equipe Rafael Menezes

Sou jornalista e radialista gaúcho, com mais de 23 anos de experiência na comunicação. Ao longo da minha trajetória, participei de coberturas jornalísticas de grande repercussão nacional e desenvolvi pautas em parceria com grandes nomes do jornalismo brasileiro.

Meu trabalho é sempre guiado pela ética, responsabilidade e compromisso com a verdade. Acredito em um jornalismo sério, transparente e próximo das pessoas, capaz de informar de forma clara e responsável.
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