A Brigada Militar inaugurou, na tarde desta terça-feira (27), a Sala Maria da Penha, na sede do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon), em Santa Maria. O espaço foi criado para acolher mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, oferecendo escuta, orientação e encaminhamento para a rede de proteção. A iniciativa também busca qualificar o trabalho da Patrulha Maria da Penha, responsável pelo acompanhamento de vítimas em 21 municípios da região.
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A inauguração ocorre em um momento de aumento da demanda pelo serviço especializado. Segundo o comandante do 1º RPMon, tenente-coronel Marcus Giovani Mello, o crescimento no número de atendimentos realizados em 2026 evidenciou a necessidade de uma estrutura mais adequada para receber as mulheres.
“Infelizmente, nós tivemos a percepção de que o número de atendimentos da Patrulha Maria da Penha às vítimas de violência doméstica aumentou neste ano de 2026. Então, nós precisávamos de um espaço mais qualificado, que pudesse servir como local de acolhimento, de escuta e, principalmente, de orientação às mulheres atendidas”, afirmou o comandante.
Sala estará aberta também a mulheres que precisam de orientação
O novo espaço foi planejado para receber tanto mulheres que já possuem medidas protetivas quanto aquelas que enfrentam situações de violência doméstica e precisam de informações sobre como buscar ajuda.
De acordo com a sargento Patrícia Marconato, integrante da Patrulha Maria da Penha, a sala foi criada para ampliar as possibilidades de acolhimento e facilitar o acesso das mulheres à orientação especializada.
“A nossa sala foi projetada para ser um ambiente de acolhimento para as vítimas de violência doméstica. A Patrulha Maria da Penha atua diretamente com as vítimas que já possuem medida protetiva, mas a nossa sala vai estar de portas abertas para qualquer outra mulher que esteja em situação de violência doméstica, que tenha alguma dúvida ou queira conversar e explicar a sua situação”, explicou.
A policial destacou que a equipe está preparada para ouvir os relatos, orientar as mulheres e realizar os encaminhamentos necessários conforme cada caso.
A proposta é disponibilizar um ambiente reservado, onde as vítimas possam relatar o que estão enfrentando e receber informações sobre os mecanismos de proteção disponíveis.
Patrulha Maria da Penha realiza acompanhamento diário
O trabalho da Patrulha Maria da Penha vai além do atendimento inicial. A equipe realiza visitas de acompanhamento, fiscaliza o cumprimento das medidas protetivas e orienta as mulheres sobre situações que possam representar riscos à sua segurança.
Segundo a sargento Patrícia, quatro policiais militares atuam diretamente no atendimento e na fiscalização, enquanto outros integrantes desempenham funções administrativas.
O serviço funciona diariamente, das 7h às 19h, com profissionais capacitados para lidar com situações de violência doméstica e familiar.
“São policiais capacitados para poder trabalhar na Patrulha Maria da Penha. A gente passa por um curso de especialização, então todos nós temos habilitação para lidar com essas situações de violência doméstica”, ressaltou.
A atuação especializada busca fortalecer a prevenção, identificar possíveis situações de risco e garantir que as mulheres acompanhadas tenham acesso à orientação necessária.
Parcerias foram fundamentais para concretizar o projeto
A implantação da Sala Maria da Penha foi possível graças à mobilização de empresas, empresários e instituições que contribuíram para a estruturação do ambiente.
Conforme o capitão Dieisson Goulart, a equipe elaborou o projeto e, posteriormente, iniciou a busca por parcerias para viabilizar a iniciativa. As contribuições incluíram recursos financeiros, móveis, utensílios e equipamentos necessários para a montagem da sala.
“Nós elaboramos o projeto da nossa sala de acolhimento à Patrulha Maria da Penha aqui do 1º RPMon e, com esse projeto, começamos a procurar parcerias que nos ajudassem, seja por meio de recursos financeiros, seja por meio de móveis e utensílios que pudessem trazer melhorias para a nossa sala”, explicou.
Segundo o capitão, os responsáveis pelo projeto encontraram receptividade entre os empresários procurados, que compreenderam a importância da iniciativa e contribuíram para que o espaço se tornasse realidade.
“Nós fomos muito bem recebidos pelos empresários. Eles compraram a ideia, entenderam a importância do nosso projeto e conseguiram nos alcançar contribuições relevantes para a montagem da sala”, destacou.
A mobilização envolveu empresas de Santa Maria e de São Pedro do Sul, ampliando a participação da comunidade na concretização do projeto.
Dieisson ressaltou que o apoio foi especialmente importante diante da área de abrangência do 1º RPMon, que atende 21 municípios por meio da Patrulha Maria da Penha.
“Com certeza, essa sala é uma referência, se não regional, talvez estadual. Nós devemos todo esse apoio a eles”, afirmou.
Poder Judiciário doou computadores para a estrutura
Além das contribuições da iniciativa privada, o projeto também recebeu apoio do Poder Judiciário para melhorar a estrutura de trabalho dos policiais.
Conforme o capitão Dieisson Goulart, por meio de uma articulação envolvendo a Vara de Execuções Criminais (VEC) de Santa Maria e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, foram doados computadores para equipar o espaço.
Os equipamentos contribuem para ampliar a capacidade de trabalho da equipe e oferecer melhores condições para o desenvolvimento das atividades administrativas e de acompanhamento das vítimas.
A união entre a Brigada Militar, os empresários e o Poder Judiciário foi fundamental para viabilizar a estrutura, que passa a integrar o trabalho de proteção desenvolvido pelo Regimento.
Espaço oferece melhores condições para vítimas e policiais
O comandante do 1º RPMon, tenente-coronel Marcus Giovani, também destacou que a nova sala beneficia os profissionais responsáveis pelo atendimento especializado.
Segundo ele, a estrutura proporciona um ambiente mais amplo, moderno e adequado às necessidades do serviço.
“É um trabalho muito qualificado e especializado. A mulher que chega para ser atendida já está sensibilizada pela situação que enfrenta e precisa de um olhar diferenciado. Nada mais justo do que oferecer um local adequado, com melhores condições de atendimento para essas vítimas e de trabalho para os profissionais que realizam esse importante serviço à comunidade”, afirmou.
A inauguração reuniu autoridades militares e civis, convidados e representantes da comunidade. Após a solenidade, os participantes foram recepcionados em um coquetel de confraternização.
Com a nova estrutura, o 1º Regimento de Polícia Montada busca fortalecer o trabalho da Patrulha Maria da Penha, ampliar as condições de acolhimento e facilitar o acesso das mulheres à orientação e à rede de proteção.
A iniciativa reforça a importância de oferecer não apenas acompanhamento policial, mas também um ambiente de escuta e apoio para mulheres que enfrentam situações de violência doméstica e familiar.
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