Preview
Plantão
Trânsito

Homem que atuava como padre em Guaíba é condenado por estupr0 e armazenamento de pornografia infantil

Conforme a acusação, o réu aproveitou-se da condição de sacerdote para praticar o crime em contexto de abuso de relação de hospitalidade, uma vez que os atos ocorriam enquanto a menina frequentava a casa paroquial.

Ouça a Notícia
Pausado
Homem que atuava como padre em Guaíba é condenado por estupr0 e armazenamento de pornografia infantil
Compartilhe:

Nesta terça-feira (26), a Justiça condenou um homem a 18 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado, pelo crime de estupro de vulnerável e por armazenamento de pornografia infantil. O réu, que já estava preso, atuava como padre em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ele não poderá recorrer em liberdade. De acordo com a denúncia, o acusado, de 44 anos, teria praticado atos libidinosos em diversas ocasiões com uma criança de 9 anos entre maio e agosto de 2024, em casa paroquial localizada no município.

>>Clique aqui, siga nossa página no Instagram, e fique por dentro das atualizações em tempo real.

Também foi encontrado, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, um pen drive com conteúdo pornográfico infanto-juvenil junto aos pertences pessoais do homem, no quarto onde ele dormia.

Na sentença, a Juíza de Direito Andreia da Silveira Machado, titular da 1ª Vara Criminal, salientou a existência de provas suficientes para comprovar a existência dos fatos e a autoria do acusado. Entre os elementos avaliados, estão laudos periciais, relatório multiprofissional e depoimentos de testemunhas, incluindo a escuta da vítima, por meio de depoimento especial. A magistrada esclareceu que, nesse tipo de crime, como não há testemunhas ou existência de vestígios em via de regra, a palavra da vítima, aliada às demais provas, assume relevante valor. A Juíza também comentou a respeito da alegação da defesa do padre, que alegou fragilidade na narrativa da criança em razão de suposta alteração de versão e lapso temporal.

“Não há mínima prova de que a vítima criou tal enredo repulsivo com o intuito de prejudicar o réu [...] Tal argumentação desconsidera a dinâmica própria dos crimes sexuais praticados contra crianças, nos quais a revelação costuma ocorrer de forma gradual, fragmentada e condicionada ao ambiente de segurança emocional em que a vítima se encontra”, enfatizou a magistrada, que classificou as consequências do crime como incalculáveis e devastadoras, uma vez que a menina seguirá convivendo com o trauma da violência sexual.

Posição de confiança e prestígio social


Conforme a acusação, o réu aproveitou-se da condição de sacerdote para praticar o crime em contexto de abuso de relação de hospitalidade, uma vez que os atos ocorriam enquanto a menina frequentava a casa paroquial. Para a magistrada, crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes tornam-se ainda mais graves quando o agressor ocupa posição de autoridade, confiança ou prestígio social.

“Nesses casos, o poder não é apenas individual, mas também simbólico. A figura do adulto respeitado, sacerdote e pessoa socialmente admirada, pode dificultar que a vítima seja acreditada. A palavra da vítima passa a ser confrontada não apenas com a versão do acusado, mas com a imagem pública construída em torno dele”, ressaltou ela. A Juíza também considerou como excessiva e inadequada a proximidade entre o padre e a menina, comprovada nos autos.

De acordo com a magistrada, a relação pastoral deveria se limitar a cuidado, orientação religiosa, acolhimento comunitário e proteção, e nunca condicionada à criação de um vínculo individualizado, reservado e assimétrico com uma criança. “Não se mostra compatível com padrões mínimos de cautela institucional que um sacerdote, homem adulto, mantenha relação de intimidade, acesso e proximidade com criança desacompanhada de seu responsável, especialmente em ambiente residencial, fora de contexto público ou comunitário”, destacou. Ela ainda pontuou o período em que o crime ocorreu, mencionando que o homem se aproveitou de uma catástrofe — as enchentes de 2024 — para se aproximar e criar vínculo com a vítima.

O processo tramita em segredo de justiça.

Patrocinado
Espaço Publicitário
870x120
Tag: Trânsito

Como você se sentiu lendo isso?

Patrocinado
Espaço Publicitário Inferior
870x120
Rafael Menezes ∴

Rafael Menezes ∴

Equipe Rafael Menezes

Sou jornalista e radialista gaúcho, com mais de 23 anos de experiência na comunicação. Ao longo da minha trajetória, participei de coberturas jornalísticas de grande repercussão nacional e desenvolvi pautas em parceria com grandes nomes do jornalismo brasileiro.

Meu trabalho é sempre guiado pela ética, responsabilidade e compromisso com a verdade. Acredito em um jornalismo sério, transparente e próximo das pessoas, capaz de informar de forma clara e responsável.
A comunicação é minha paixão e, através dela, busco informar, conectar e dar voz aos fatos que realmente importam.

Aqui, você acompanha o jornalismo como ele deve ser: com credibilidade, responsabilidade e propósito.

Compartilhar: