Moradores da Rua Rio Grande do Norte, no bairro Parque Pinheiro Machado, na região oeste de Santa Maria, seguem convivendo com o medo constante de novos alagamentos desde a enchente registrada em 2024. Naquele ano, a água invadiu casas, destruiu móveis, veículos e deixou famílias presas dentro das próprias residências.
Desde então, segundo os moradores, apenas serviços paliativos foram realizados na região. O problema, porém, persiste. Sempre que chove um pouco acima da média, as ruas voltam a alagar e a água retorna para dentro das casas.
Quélen Nunes da Silva, de 37 anos, conta que precisou investir em adaptações internas para tentar reduzir os prejuízos. – Já tive que instalar portas mais altas dentro de casa para tentar salvar um pouco dos móveis. Mesmo assim, tudo estraga. Carro, cama, geladeira… não é barato repor isso – relata.
A sanga que corta o bairro é apontada como a principal causa dos alagamentos. De acordo com Cláudio Batista Trindade, morador da Rua Rio Grande do Norte, a água transborda rapidamente. – Mesmo morando a cerca de 100 metros da sanga, já fui prejudicado. A água sobe muito rápido e, em poucos minutos, faz um estrago enorme – afirma.
O problema não é recente. Carlos Alaôr Rodrigues da Cruz mora há 30 anos na região e diz que a situação só piorou com o tempo. – Já ergui minha casa em um metro e meio e, mesmo assim, a água entrou. O que fazem é só uma limpeza superficial. A parte que realmente precisa de escoamento continua sem solução – explica.
Um dos relatos mais marcantes é o de Eduarda Ribeiro, de 24 anos. Em 2024, ela estava grávida quando a casa foi invadida pela água. – Ficamos presas dentro de casa, eu e minha mãe. Se não fossem os vizinhos, não teríamos conseguido sair. Foi uma das piores cenas da nossa vida, tudo boiando dentro de casa – lembra.
Os moradores destacam que vivem em área regularizada, pagam IPTU e reforçam que o problema não se trata de ocupação irregular, mas da falta de drenagem adequada da água da chuva.
Quase dois anos após a enchente de 2024, a comunidade segue aguardando uma solução definitiva. O pedido é para que as obras sejam realizadas agora, durante o período de menor volume de chuvas, antes que o próximo período chuvoso volte a causar novos prejuízos e riscos à população.