O advogado Itaúba Siqueira de Souza Júnior registrou um boletim de ocorrência na manhã desta quarta-feira (5), em Santa Maria, após descobrir que criminosos passaram a utilizar inteligência artificial para imitar sua voz em uma tentativa de aplicar o golpe do falso advogado.
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Conforme o registro policial, uma cliente recebeu uma mensagem por WhatsApp de um número desconhecido. No perfil do aplicativo apareciam o nome e a fotografia do advogado. Além disso, os golpistas enviaram um áudio reproduzindo uma voz semelhante à dele, informando que havia "ótimas notícias" sobre o processo judicial da cliente e solicitando retorno para repassar mais informações.
Desconfiando da situação, a cliente não respondeu à mensagem e bloqueou o contato. O caso foi comunicado ao advogado, que decidiu registrar a ocorrência para resguardar sua atividade profissional e permitir a apuração dos fatos.
Segundo Itaúba Siqueira de Souza Júnior, criminosos já vinham utilizando sua imagem para tentar enganar clientes, mas esta foi a primeira vez que teve conhecimento da utilização de uma voz falsificada por inteligência artificial.
"Nós, advogados, e eu particularmente, temos recebido mensagens de clientes informando que golpistas estão utilizando nossa imagem para enviar mensagens sobre processos e pedir dinheiro, usando também nossa fotografia no WhatsApp. Agora, com a inteligência artificial, recebemos essa triste notícia de que estão falsificando inclusive a voz dos advogados. Isso é muito grave e até mesmo assustador."
O advogado explicou que o principal objetivo do registro da ocorrência é alertar a população sobre esse novo tipo de fraude e reforçar que qualquer contato suspeito deve ser confirmado diretamente com o profissional responsável pelo processo.
"Resolvemos fazer esse boletim de ocorrência para tornar essa situação pública. O papel da imprensa é muito importante para alertar as pessoas para que não caiam nesses golpes. É fundamental que os clientes entrem em contato com seus respectivos advogados pelos canais que sempre utilizaram e não façam qualquer pagamento solicitado pelo WhatsApp."
Itaúba também destacou a dificuldade de identificar os responsáveis por esse tipo de crime e defendeu medidas para ampliar a proteção dos dados utilizados pelos estelionatários.
"Sabemos que é difícil para a polícia identificar a autoria desses estelionatários, mas esperamos que a Justiça e o Conselho Nacional de Justiça tomem alguma providência. Hoje, muitas pessoas conseguem acesso a dados e processos judiciais que não estão sob sigilo, o que acaba facilitando esse tipo de golpe e tornando o combate ainda mais difícil."
A orientação é para que clientes nunca realizem pagamentos ou forneçam informações pessoais apenas com base em mensagens recebidas por aplicativos. Em caso de dúvida, a recomendação é entrar em contato diretamente com o advogado por telefones e canais oficiais já conhecidos antes de qualquer transferência de valores.