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Defesa de investigados na Operação Padrinho questiona provas e nega liderança em facção criminosa

Manifestação ocorre após a transferência de dois apontados pela Polícia Civil como integrantes da cúpula do Primeiro Comando de Santa Maria para o módulo de segurança máxima da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.

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Defesa de investigados na Operação Padrinho questiona provas e nega liderança em facção criminosa
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Os advogados Wedner Lima e Wiliam Lima, que representam os investigados Alisson Gilmar Abedala de Senna, conhecido como Deco, e Maurício Fontana Rodrigues, apontados pela Polícia Civil como integrantes da cúpula da facção criminosa Primeiro Comando de Santa Maria (PCSM), divulgaram uma manifestação pública nesta quinta-feira (5) para contestar informações apresentadas durante a Operação Padrinho, deflagrada na quarta-feira (4).

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Na nota, a defesa questiona a existência de provas materiais que demonstrem o envolvimento dos clientes no homicídio que deu origem à investigação, além de contestar as afirmações de que eles exerceriam posições de liderança em uma organização criminosa.

Segundo os advogados, os investigados já respondem a um processo criminal relacionado ao assassinato, na condição de supostos mandantes. Entretanto, sustentam que, até o momento, não foram apresentados elementos probatórios materiais que comprovem a participação deles no crime.

A defesa afirma que as imputações estariam fundamentadas principalmente em depoimentos de informantes que, segundo os advogados, possuem vinculação direta com familiares da vítima e antecedentes criminais.

Os representantes também demonstraram preocupação com a divulgação pública de informações que atribuem aos investigados a condição de líderes de uma facção criminosa.

Conforme a manifestação, acusações dessa gravidade precisam estar amparadas em elementos concretos. Os advogados afirmam que pretendem adotar todas as medidas jurídicas necessárias para obter acesso integral aos elementos da investigação, analisar as imputações e exercer plenamente o direito de defesa.

Outro ponto questionado é a fundamentação dos pedidos de prisão preventiva. A defesa argumenta que a utilização de fatos pretéritos exige demonstração de contemporaneidade e pertinência para justificar a necessidade da medida cautelar.

Ao final, os advogados reafirmam confiança nas instituições do sistema de Justiça e respeito às autoridades públicas, mas ressaltam que acusações graves precisam ser acompanhadas de provas concretas.

Relembre o caso

Alisson Gilmar Abedala de Senna, o Deco, e Maurício Fontana Rodrigues chegaram às dependências da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) às 19h10min de quarta-feira (4), horas após a deflagração da Operação Padrinho.

Os dois foram encaminhados ao Módulo de Segurança Máxima (MSM), onde permanecerão pelo prazo de até 90 dias, conforme as informações divulgadas sobre a operação.

A ofensiva resultou na prisão de 72 pessoas e mobilizou aproximadamente 350 agentes das forças de segurança. A ação foi realizada em Santa Maria, Restinga Seca e Caçapava do Sul, além de cinco estabelecimentos prisionais do Rio Grande do Sul.

Ao todo, a Justiça expediu 174 ordens judiciais, sendo 75 mandados de prisão preventiva, 92 de busca e apreensão e sete ordens de sequestro de veículos. No momento da apresentação dos resultados, três mandados de prisão ainda aguardavam cumprimento.

Considerada pela Polícia Civil a maior operação contra homicídios já realizada pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) no interior do Estado, a investigação busca atingir diferentes níveis da estrutura de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em assassinatos em Santa Maria e região.

Investigação começou após execução na Nova Santa Marta

As investigações começaram em 13 de agosto de 2025, após o assassinato de Roberto Nascimento dos Santos, de 46 anos, no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria.

Na ocasião, a vítima foi atingida por 15 disparos de arma de fogo em frente à própria residência.

Conforme a Polícia Civil, o homicídio teria sido motivado por um conflito entre integrantes de grupos rivais dentro do sistema prisional. O desentendimento começou após um equipamento repetidor de sinal de internet, transportado por um drone para uma unidade prisional, cair em uma galeria rival.

O equipamento teria sido retido pelos integrantes da galeria e posteriormente devolvido com avarias. A devolução ocorreu na manhã do dia do assassinato. Horas depois, Roberto foi executado.

A Polícia Civil identificou os supostos executores, que foram indiciados e denunciados pelo crime. A investigação avançou posteriormente para apurar a estrutura de comando, a movimentação financeira e a atuação de integrantes da organização criminosa.

Segundo os investigadores, a facção utilizava integrantes recolhidos no sistema prisional para coordenar atividades criminosas, administrar o tráfico de drogas e determinar execuções fora das unidades penitenciárias.

Durante a apresentação da operação, o diretor do DHPP, delegado Mário Souza, afirmou que a ofensiva buscou interromper a comunicação entre integrantes que atuavam nas ruas e aqueles que permaneciam presos.

A operação também integra o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios (P7), estratégia que reúne diferentes forças de segurança para combater organizações criminosas e reduzir os índices de mortes violentas.

A Polícia Civil informou que Santa Maria registrou 66 homicídios em 2024, 33 em 2025 e 12 até quarta-feira (4) de novembro de 2026.

A manifestação dos advogados representa a posição da defesa dos investigados. As acusações apresentadas pela Polícia Civil ainda serão submetidas à análise do Poder Judiciário, observando-se o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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Equipe Rafael Menezes

Sou jornalista e radialista gaúcho, com mais de 23 anos de experiência na comunicação. Ao longo da minha trajetória, participei de coberturas jornalísticas de grande repercussão nacional e desenvolvi pautas em parceria com grandes nomes do jornalismo brasileiro.

Meu trabalho é sempre guiado pela ética, responsabilidade e compromisso com a verdade. Acredito em um jornalismo sério, transparente e próximo das pessoas, capaz de informar de forma clara e responsável.
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