Doze pessoas foram presas nesta quinta-feira (13) durante a Operação Juris Fictio, deflagrada pela Polícia Civil de Santa Maria para desarticular uma organização criminosa especializada em estelionatos digitais contra idosos por meio do chamado “golpe do falso advogado”. A ação ocorreu no Estado do Ceará, onde também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
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A investigação começou após uma idosa de 68 anos, moradora de Santa Maria, ser vítima do esquema em 2024. Segundo a Polícia Civil, ela recebeu uma ligação de um criminoso que se passou por representante de um conhecido escritório de advocacia de Brasília.
Durante o contato, a vítima foi informada de que teria direito a receber R$ 1,2 milhão. Para que o suposto valor fosse liberado, os criminosos exigiram pagamentos referentes a falsas custas processuais e “taxas liberatórias”. A idosa realizou sucessivas transferências via Pix e acabou sofrendo um prejuízo de R$ 150 mil.
A partir da análise de dados bancários e do rastreamento das movimentações financeiras, os investigadores identificaram integrantes da organização criminosa. Ao todo, 16 pessoas, todas residentes no Ceará, foram apontadas como envolvidas no esquema e teriam obtido vantagem financeira com o golpe.
Foram cumpridas 48 medidas cautelares nos municípios de Fortaleza, Maracanaú, Pacatuba, Caucaia e Guaiúba. As ordens judiciais incluíram 16 mandados de prisão preventiva, 32 mandados de busca e apreensão domiciliar, além do bloqueio judicial de contas bancárias e valores.
A operação contou com o suporte do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB/DIOPI/SENASP/MJSP), além do apoio operacional da DRACO de Santa Maria e da Polícia Civil do Estado do Ceará.
A investigação foi coordenada pela delegada Débora Dias, responsável pela operação. Segundo ela, os criminosos utilizavam técnicas de engenharia social para explorar a vulnerabilidade de pessoas idosas e se passavam por advogados e representantes de escritórios legítimos.
O nome da operação, “Juris Fictio”, expressão em latim que significa “ficção jurídica”, faz referência à falsa representação utilizada pelos criminosos para criar uma realidade fictícia e convencer as vítimas.
Os investigados são suspeitos de estelionato eletrônico contra idoso, associação criminosa e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Somadas, as penas máximas previstas para os crimes podem ultrapassar 29 anos de reclusão, além de multa.
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