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Casa do Turista de Faxinal do Soturno é alvo de vandalismo em meio à disputa por território do tráfico

Pichações deixadas no imóvel são interpretadas como possível demonstração de força de grupos criminosos que disputam pontos de comercialização de drogas na Quarta Colônia.

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Casa do Turista de Faxinal do Soturno é alvo de vandalismo em meio à disputa por território do tráfico
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A Casa do Turista de Faxinal do Soturno foi alvo de vandalismo e pichações em meio ao cenário de tensão provocado pela disputa de território entre grupos criminosos que atuam na comercialização de drogas no município e em outras cidades da Quarta Colônia. O imóvel, que representa um dos espaços públicos ligados ao turismo e à identidade do município, acabou sendo utilizado como local para inscrições que chamaram a atenção de moradores.

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O episódio ocorre em um momento de preocupação crescente entre moradores da região, que até pouco tempo era considerada uma área predominantemente pacata. Nos últimos meses, o noticiário de segurança pública passou a ganhar espaço com o registro de crimes violentos e ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas em diferentes municípios da Quarta Colônia.

A escalada da violência já havia chamado a atenção das autoridades em agosto de 2025, quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Quarta Colônia Livre. A investigação apurou a suposta atuação de uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro na região Central do Rio Grande do Sul.

A ofensiva mobilizou 310 policiais civis e resultou no cumprimento de 74 mandados de busca e apreensão, 49 mandados de prisão preventiva e nove mandados de prisão temporária. Segundo as informações divulgadas na época pela Polícia Civil, Faxinal do Soturno era apontado como um dos pontos de distribuição de drogas para municípios próximos.

Decisão da Justiça anulou processo contra 62 réus

A situação ganhou um novo capítulo após uma decisão judicial que anulou a ação penal resultante da operação e determinou a soltura dos réus que permaneciam presos exclusivamente em razão daquele processo.

O despacho foi assinado às 17h40min de quinta-feira, 30 de julho, pelo juiz André de Oliveira Pires, da 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.

O magistrado reconheceu a incompetência do juízo que havia autorizado medidas durante a investigação, declarou nulas as provas produzidas e determinou o trancamento da ação penal contra os 62 réus.

A decisão também revogou as prisões preventivas e as medidas de monitoramento eletrônico impostas aos acusados, além de determinar a expedição imediata dos alvarás de soltura para aqueles que permaneciam presos exclusivamente em razão do processo.

Segundo a decisão, o Juízo da Comarca de Faxinal do Soturno teria autorizado, durante a investigação, medidas como interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e telemático, buscas e apreensões, bloqueios de valores e prisões, embora os fatos apurados envolvessem crimes de competência das Varas Estaduais Especializadas.

O juiz reconheceu a “incompetência absoluta do Juízo da Comarca de Faxinal do Soturno para atuar na apuração dos crimes de organização criminosa e de lavagem de dinheiro” e declarou a nulidade das provas obtidas durante a investigação e das provas delas derivadas.

Com isso, a ação penal foi trancada e as prisões e medidas cautelares foram revogadas.

O advogado criminalista Wedner Lima, que representa alguns dos réus, afirmou que a decisão reforça a necessidade de observância das garantias constitucionais e do princípio do juiz natural.

Moradores temem retomada da violência

A decisão provocou apreensão entre moradores da Quarta Colônia. Pessoas ouvidas pela reportagem, que preferiram não se identificar por medo de represálias, relatam preocupação com a possibilidade de novos conflitos entre grupos que disputam pontos de comercialização de drogas.

A principal preocupação é de que a saída de pessoas investigadas anteriormente possa ser seguida por uma nova disputa pelo controle de áreas utilizadas para o comércio de entorpecentes.

Moradores também temem que antigos conflitos e possíveis acertos de contas voltem a ocorrer, aumentando a sensação de insegurança em cidades que, até pouco tempo, eram conhecidas pela tranquilidade.

O vandalismo na Casa do Turista ocorre justamente nesse contexto e passou a ser observado como mais um sinal da presença e da disputa de grupos criminosos no município. As pichações podem representar uma forma de demarcação ou provocação entre grupos, mas a autoria e a motivação específica do ato precisam ser apuradas pelas autoridades.

Crimes violentos ocorreram após as solturas

A preocupação ganhou força após o registro de novos crimes violentos em Faxinal do Soturno depois das primeiras solturas determinadas pela Justiça.

Bernardo Lucas Hollveg Kluge, 18 anos foi morto a tiros durante a madrugada de 3 agosto, na Rua Leonardo Brondani, no bairro Medianeira. Segundo a ocorrência, ele estava dentro de casa quando a porta da residência foi arrombada e um homem efetuou diversos disparos.

Familiares relataram que a ação foi rápida e a vítima morreu ainda no local. Uma testemunha afirmou ter reconhecido o atirador como um adolescente de 17 anos, que possui antecedentes relacionados ao tráfico de drogas. No local, foram encontrados preliminarmente 11 estojos de munição calibre 9 milímetros.

Outro episódio ocorreu na madrugada deste domingo (9), quando uma mulher de 29 anos foi baleada dentro de casa, na Rua Oreste Pacheco, na Vila Verde Teto.

Conforme a ocorrência, dois homens arrombaram a porta da residência, gritaram que eram policiais e efetuaram disparos contra o interior do imóvel. Um dos tiros atingiu o abdômen da vítima, que foi encaminhada ao Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) em estado grave.

A principal hipótese registrada na ocorrência é de que o alvo dos criminosos fosse o companheiro da vítima, que estava em outro cômodo da residência e não foi atingido.

O homem havia sido preso durante a Operação Quarta Colônia Livre e foi colocado em liberdade por decisão da Justiça em 31 de julho, um dia após a decisão que determinou a revogação das prisões relacionadas ao processo.

Os dois episódios ocorreram em um curto intervalo após a decisão judicial e aumentaram a apreensão entre moradores. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que os crimes estejam diretamente relacionados à soltura dos réus ou à disputa entre organizações criminosas.

Região vive novo momento de tensão

A sucessão de ocorrências coloca Faxinal do Soturno e outros municípios da Quarta Colônia diante de um cenário diferente daquele vivido durante anos pela população.

A preocupação dos moradores é de que a disputa pelo território para comercialização de drogas provoque novos homicídios, tentativas de homicídio e outros crimes violentos.

A Operação Quarta Colônia Livre havia representado uma das maiores ofensivas policiais já realizadas contra o crime organizado na região. Agora, com o trancamento da ação penal e a anulação das provas produzidas no processo, moradores temem que o espaço deixado pela operação seja novamente ocupado por grupos criminosos.

A decisão judicial, contudo, não significa uma declaração de inocência dos 62 acusados. O magistrado determinou o encerramento daquela ação penal em razão da nulidade das provas e das questões de competência apontadas na decisão. Eventuais novas investigações, quando legalmente cabíveis e baseadas em elementos independentes, seguem submetidas às regras de competência da Justiça.


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Tag: Trânsito

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Rafael Menezes ∴

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Equipe Rafael Menezes

Sou jornalista e radialista gaúcho, com mais de 23 anos de experiência na comunicação. Ao longo da minha trajetória, participei de coberturas jornalísticas de grande repercussão nacional e desenvolvi pautas em parceria com grandes nomes do jornalismo brasileiro.

Meu trabalho é sempre guiado pela ética, responsabilidade e compromisso com a verdade. Acredito em um jornalismo sério, transparente e próximo das pessoas, capaz de informar de forma clara e responsável.
A comunicação é minha paixão e, através dela, busco informar, conectar e dar voz aos fatos que realmente importam.

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