A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria realizou entre os dias 15 e 19 de junho de 2026, no campus da Universidade Federal de Santa Maria, a destinação de 4.000 litros de bebidas alcoólicas apreendidas, com o objetivo de transformar o material oriundo de descaminho em etanol e insumos de uso institucional e acadêmico.
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As bebidas, compostas por produtos como uísques, vodcas, tequilas e runs, foram previamente descaracterizadas e acondicionadas em quatro recipientes com capacidade de 1.000 litros cada, formando um volume único de destilados de alto teor alcoólico. O material foi encaminhado ao Colégio Politécnico da UFSM, onde passa por processamento na Usina Piloto de Etanol.
O processo resulta na produção de etanol 92º GL, que é utilizado em duas frentes principais: abastecimento de parte da frota de veículos da universidade e produção de sanitizantes, como álcool 70% INPM e álcool glicerinado, empregados na higienização de espaços do campus por meio do Centro de Pesquisa e Produção em Álcool (CEPPA).
De acordo com o professor responsável pelo projeto, Filipe Fagan Donato, o rendimento médio da destilação é de aproximadamente 30%, o que reforça a necessidade de otimização contínua do processo. Além da produção energética e sanitária, os resíduos orgânicos gerados durante a transformação são reaproveitados como fertilizantes em atividades agrícolas desenvolvidas pelo Colégio Politécnico, ampliando o ciclo de reaproveitamento.
No mesmo processo de destinação, cerca de três toneladas de materiais como vidro, plástico e papelão, resultantes da descaracterização das bebidas, foram encaminhadas para a ASMAR, responsável pela triagem e comercialização de recicláveis. A medida contribui diretamente para a geração de renda de famílias associadas e para a redução do impacto ambiental.
A iniciativa integra uma parceria institucional consolidada desde 2011 entre a Receita Federal e a UFSM. Segundo dados do órgão, somente nesta segunda destinação realizada em 2026, já haviam sido encaminhados outros 3.120 litros de bebidas apreendidas. Ao longo da cooperação, estima-se que mais de 400 mil litros de produtos ilegais tenham sido convertidos em benefícios diretos para a comunidade acadêmica e para projetos sociais e ambientais.