O Tribunal do Júri do Caso Gabriel Marques Cavalheiro foi concluído às 23h09min de sexta-feira (3), no Fórum de São Gabriel, após cinco dias de julgamento que reuniram depoimentos de familiares, testemunhas, peritos, integrantes da Brigada Militar e os interrogatórios dos três policiais militares acusados, além da réplica e tréplica do Ministério Público e das defesas.
Já na madrugada de sábado (4), por volta de 0h30min, a juíza Liz Grätsch proferiu a sentença, condenando os três réus a 24 anos de prisão em regime fechado e à perda do cargo público por homicídio qualificado é motivo fútil.
O sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen foi condenado nos mesmos termos: 24 anos de prisão em regime fechado e perda do cargo.
O soldado Raul Veras Pedroso também recebeu pena de 24 anos de prisão em regime fechado e perda do cargo e multa de R$ 100 mil para família de Gabriel .
O soldado Cléber Renato Ramos de Lima igualmente foi condenado a 24 anos de prisão em regime fechado e à perda do cargo.
O Conselho de Sentença, formado por sete jurados, seis mulheres e um homem analisou as provas produzidas ao longo da semana antes de definir o destino dos réus.
Relembre o caso
Gabriel Cavalheiro havia se mudado de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para São Gabriel, com o objetivo de cumprir o serviço militar obrigatório no Exército.
Na noite de 12 de agosto de 2022, enquanto estava hospedado na casa de um tio, no bairro Divina Providência, ele saiu para tomar uma cerveja. Pouco depois, uma moradora acionou a Brigada Militar informando que um homem desconhecido tentava abrir o portão de sua residência.
Os três policiais militares denunciados atenderam à ocorrência, imobilizaram Gabriel e o colocaram no compartimento de transporte da viatura. Imagens gravadas por testemunhas e elementos reunidos na investigação indicam que ele também sofreu golpes de cassetete durante a abordagem. Aquela foi a última vez em que o jovem foi visto com vida.
O corpo de Gabriel foi encontrado no dia 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na região conhecida como Lava Pé, na zona rural de São Gabriel. O Ministério Público acusa os três policiais militares de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual.