Durante muito tempo, existiu uma crença silenciosa dentro da advocacia: a de que a técnica e a oratória seriam suficientes para construir uma carreira sólida. Era uma ideia compreensível.
O advogado estudava, aprofundava seus conhecimentos, desenvolvia sua capacidade de argumentação e, com o passar dos anos, conquistava espaço. O reconhecimento profissional parecia ser uma consequência natural. Quanto melhor fosse o domínio do Direito e da palavra, maiores seriam as oportunidades.
Em certa medida, essa lógica funcionou. Hoje, a técnica continua sendo o fundamento da advocacia e a comunicação continua sendo uma das habilidades mais valiosas da profissão. O problema é que o ambiente ao redor mudou profundamente.
O número de profissionais cresceu, a concorrência se intensificou e a forma como as pessoas escolhem em quem confiar tornou-se muito diferente daquela de décadas atrás.
Hoje, excelentes advogados dividem espaço com milhares de outros profissionais igualmente qualificados. O conhecimento jurídico deixou de ser um diferencial raro e passou a integrar aquilo que o mercado espera como requisito básico.
Nesse cenário, um fenômeno curioso começou a surgir. Advogados preparados, experientes e tecnicamente competentes passaram a enfrentar uma sensação constante de estagnação. Trabalham muito, estudam muito, entregam bons resultados e, ainda assim, encontram dificuldades para crescer na velocidade que imaginavam.
A explicação nem sempre está na qualidade do trabalho desenvolvido. Muitas vezes, ela está na forma como esse trabalho chega às pessoas. A advocacia sempre valorizou a discrição, característica que continua sendo uma virtude.
O problema surge quando a discrição evolui para isolamento. Muitos profissionais dedicam décadas ao aperfeiçoamento técnico, mas permanecem distantes das redes sociais, lugar onde, atualmente, as reputações são fortalecidas e confiança é continuamente cultivada. O cliente moderno vive cercado por informações e sempre conectado ao celular.
Pesquisa antes de contratar, compara alternativas, observa comportamentos e as redes em busca de prova social e segurança. Ele deseja conhecer quem está do outro lado da mesa antes mesmo de sentar-se diante dela. Por essa razão, a visibilidade na internet passou a desempenhar um papel cada vez mais relevante na construção de uma carreira.
Não se trata de exposição vazia nem de transformar a advocacia em espetáculo, mas de presença e comunicação. Talvez essa seja uma das transformações mais importantes da advocacia contemporânea.
Durante muito tempo, bastava desenvolver conhecimento. Hoje, também é necessário desenvolver presença. Não basta ser, é preciso parecer ser. Eu mesmo resisti ao máximo. Porém, percebi que nos grandes centros urbanos, especialmente, profissionais medianos de todas as formações são tidos como “especialistas”, “reis” de suas áreas, porque souberam se posicionar, comunicar-se e ser encontrados.
Enquanto isso, muitos profissionais altamente qualificados permanecem praticamente invisíveis ao mercado. Porque, no fim, o cliente continua valorizando bons profissionais. A diferença é que, para reconhecer a qualidade de um trabalho, ele precisa primeiro encontrar quem o realiza.
Quando isso não acontece, a escolha acaba recaindo sobre quem estava visível, disponível e presente no momento da decisão.
Por essa razão, a nova advocacia exige presença na internet. O advogado precisa aparecer para que as pessoas tenham a oportunidade de descobrir o quanto ele é bom.